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Sensoriamento remoto

Nasa desenvolve duas tecnologias para detectar minerais críticos a partir da órbita, ainda em testes

Projetos do laboratório JPL, na Califórnia, usam espectroscopia de imagem e satélites de gravimetria. A agência espacial não informa custos, minerais alvo nem prazo de uso comercial do Emit.

Por Redação MineraçãoLeitura de 3 min
Vista da Terra com um satélite ao fundo, no espaço
Imagem ilustrativa. Foto: Zelch Csaba / Pexels

Ao menos duas tecnologias da Nasa, a agência espacial americana, buscam localizar minerais críticos abaixo da superfície com sensores instalados em órbita. Ambas seguem em fase de testes, segundo o Poder360 e o portal Silva Lima.

Os projetos ficam em divisões do JPL, o Laboratório de Propulsão a Jato, em Pasadena, na Califórnia. Um jornalista do Poder360 visitou o local em 22 de setembro. Segundo o veículo, a viagem foi feita por convite do Departamento de Estado americano.

Nasa usa espectroscopia de imagem para ler minerais do espaço

Uma das frentes está no Microdevices Lab, onde a equipe do cientista Frank Greer aplica espectroscopia de imagem à detecção de minerais. A técnica analisa a luz refletida pela superfície e permite distinguir materiais pela assinatura de cada um.

O espectrômetro Emit, ligado a essa linha, foi testado na Estação Espacial Internacional e lançado em 2022. Segundo o Poder360, é o primeiro a usar a espectroscopia de imagem para medir de forma abrangente as ondas de luz de minerais, sobretudo em desertos.

O Emit não se limita à mineração. Ele também mapeia poeira atmosférica, metano e vegetação seca com risco de incêndio.

O portal Silva Lima descreve o equipamento como em fase de testes na estação. O Poder360 informa que o Emit foi testado e já foi usado, mas não saiu dos laboratórios. Esta reportagem segue a versão do Poder360, fonte primária da visita, e não afirma que o teste continua.

Interesse da indústria, mas escala comercial é complexa

Greer afirmou que a tecnologia desperta "interesse considerável" da indústria, conforme relatou o Poder360. O cientista da Nasa ponderou, porém, que levá-la à escala comercial é complexo.

Ele também disse ao veículo que a identificação de minerais num depósito depende de quão misturados estejam a outros elementos. Na prática, a mistura entre materiais limita o que um sensor orbital consegue separar.

O laboratório tem histórico de tecnologias absorvidas pela indústria. Um exemplo citado pelas duas fontes é o sensor de imagem CMOS, presente nos smartphones.

Grace: satélites da Nasa que medem a gravidade

A segunda frente é o Grace. Na configuração atual, são dois satélites idênticos, separados por cerca de 200 quilômetros, que medem variações gravitacionais. O projeto rastreia água desde 2002, e a missão atual está em órbita desde 2018.

A próxima geração, prevista para 2030 ou 2031, deve mapear também recursos minerais e petróleo, em terra e no mar, segundo as duas fontes.

A nova versão terá um só satélite, de natureza quântica. Como sensores, usará nuvens de átomos resfriadas a -273 graus, informou o Poder360.

Jason Hyon, responsável pela área de tecnologia na diretoria de ciências da Terra da Nasa, disse ao Poder360 que o método vale para qualquer local e para qualquer tipo de variação de massa.

Por que o tema importa ao setor

A busca por minerais críticos está no centro da agenda de mineradoras e governos. No Brasil, a demora do Cimce na regulamentação já paralisa negócios do segmento, segundo a associação AMC. Tecnologias de prospecção remota entram nesse debate como uma forma de reduzir o custo de achar novos depósitos, embora nenhuma das fontes trate desse efeito.

O que os dois projetos mostram, até aqui, é pesquisa em estágio de laboratório e de demonstração, sem aplicação comercial definida.

O que ainda não se sabe

As fontes não informam o custo dos projetos nem quais minerais críticos específicos os sistemas conseguem detectar. Também não citam empresas de mineração ou países interessados nas tecnologias.

Faltam dados sobre a precisão e os resultados medidos em depósitos reais. Não há cronograma de uso comercial do Emit, e nenhuma das fontes menciona aplicação no Brasil.

Fontes desta matéria

Onde as fontes divergem
  • Situação do Emit. Seguir o Poder360, fonte primária: foi testado na ISS, 'testado' sem afirmar que segue em testes.

O que as fontes não cobrem: Custo dos projetos Minerais críticos específicos detectáveis Empresas de mineração ou países interessados Precisão e resultados medidos em depósitos reais Cronograma de uso comercial do Emit Aplicação no Brasil

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