PF e Ibama inutilizam 72 embarcações e equipamentos de garimpo ilegal no Rio Madeira
Operação Nêmesis atingiu trecho entre Calama e São Carlos, em Porto Velho. Ninguém foi preso, e a PF vai analisar o material apreendido para chegar a donos e financiadores das dragas.

Em Porto Velho (RO), o garimpo ilegal no Rio Madeira sofreu um golpe da Polícia Federal, que contou com o apoio do Ibama para deixar inutilizados 72 itens, entre embarcações e equipamentos. A ação, batizada de Operação Nêmesis, foi realizada na terça-feira, 27 de outubro de 2026, segundo G1, CNN Brasil, Rondoniagora.com e Notícias Tudo Aqui.
A área atingida pela ação fica no leito do rio, na faixa que separa os distritos de São Carlos e Calama. Ninguém foi preso durante a operação, de acordo com a PF.
O que foi destruído no Rio Madeira
Os itens listados somam o total anunciado: dragas (17), rebocadores (2), voadeiras (3), motores (21), bombas de draga (25) e bombas de água (4).
Há uma diferença de enquadramento entre os veículos. O G1 fala em 72 embarcações, mas detalha dragas, motores e bombas. Rondoniagora.com, CNN Brasil e Notícias Tudo Aqui falam em embarcações e equipamentos. Como motores e bombas entram na conta, esta reportagem adota a segunda formulação.
A operação inutilizou ainda cerca de 16 mil litros de diesel. Conforme o que foi divulgado, o combustível se destinava ao abastecimento das estruturas do garimpo.
Segundo o G1 e o Notícias Tudo Aqui, moradores filmaram explosões durante a destruição de algumas das dragas.
Mercúrio e celulares apreendidos
Na operação, foram apreendidos 3 frascos de mercúrio e 8 celulares, conforme CNN Brasil, Rondoniagora.com e Notícias Tudo Aqui. O mercúrio é usado na separação do ouro e é uma substância tóxica.
Esse material será analisado para identificar os donos das dragas e os financiadores da atividade. Esse é o passo que pode ligar a destruição dos equipamentos a responsáveis específicos.
Segundo os veículos que cobriram a ação, os investigados podem responder por extração mineral sem autorização, uso de substância tóxica e usurpação de bem da União.
Peso da mineração em Porto Velho
Para dimensionar a atividade formal no município, os dados da ANM mostram a arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) em Porto Velho: R$ 7,4 milhões em 2021, R$ 7,0 milhões em 2022 e R$ 4,7 milhões em 2023.
A série da agência vai até 2023 e não separa a arrecadação por mina. Também não permite relacionar os valores ao garimpo ilegal alvo da operação, que por definição não recolhe o tributo.
O tema da mineração irregular também está no Congresso. Um projeto que prevê acordos com a União em casos de mineração irregular, com indenização baseada na CFEM, foi noticiado pelo site nesta semana.
O que ainda não se sabe
Os veículos consultados não informam o valor estimado dos equipamentos destruídos, nem quanto ouro era extraído na área. Também não há número de investigados nem nomes de donos e financiadores das dragas.
Ficam sem resposta, ainda, quanto tempo durou a operação e quantos agentes participaram, se há inquérito aberto e qual o prazo para concluí-lo, e qual será o destino dos frascos de mercúrio apreendidos.
Fontes desta matéria
- Notícias Tudo Aqui, 28/10/2026
- G1, 27/10/2026
- Rondoniagora.com, 27/10/2026
- CNN Brasil, 27/10/2026
- ANM, painel de CFEM por município, 28/10/2026
- Natureza dos 72 itens: embarcações ou equipamentos. Usar 72 embarcações e equipamentos; a soma dos itens listados fecha 72, o que inclui motores e bombas.
O que as fontes não cobrem: Valor estimado dos equipamentos destruídos Número de investigados ou nomes de donos e financiadores Quanto ouro era extraído na área Quanto tempo durou a operação e quantos agentes participaram Se há inquérito aberto e qual o prazo Destino dos frascos de mercúrio apreendidos


