PF faz Operação Repasse em Santaluz (BA) contra garimpo de ouro com cianeto; dano supera R$ 180 milhões
Perícias da Polícia Federal estimam o prejuízo ambiental da rede. A PF não divulgou nomes, e os indiciados podem pegar até 29 anos de reclusão somados.

A Polícia Federal deflagrou na segunda-feira, 26 de outubro de 2026, a Operação Repasse, contra uma rede de garimpo ilegal de ouro que usava laboratórios de cianeto em Santaluz, na Bahia. Os agentes cumpriram 2 mandados de busca e apreensão no município, segundo o Interior da Bahia e o CPG Click Petróleo e Gás.
Perícias recentes da PF estimam em mais de R$ 180 milhões o prejuízo ambiental provocado pela rede.
O que o valor de R$ 180 milhões representa
O número é uma estimativa pericial de dano ambiental, conforme o CPG Click Petróleo e Gás. Não se trata de multa nem de pena. A conta abrange toda a cadeia, da extração ao processamento do minério.
A PF não detalhou, nas informações publicadas pelos dois veículos, como a perícia chegou ao montante. Também não indicou a área afetada.
Operação Repasse reúne três ações e chega aos laboratórios
Três ações anteriores deram origem à Operação Repasse: Garça Dourada, Serra Dourada e Lixiviação, executadas de junho de 2023 a agosto de 2024. Os investigados já eram apontados como autores de extração ilegal de ouro na região havia anos.
De acordo com a PF, o esquema evoluiu para laboratórios que recebiam e refinavam rejeitos de moagens de garimpeiros ilegais. O ouro era obtido por lixiviação, processo que empregava grandes quantidades de cianeto de sódio.
O cianeto é altamente tóxico. Sua compra e seu uso são controlados pelo Ministério do Exército, e o uso irregular pode afetar a saúde e o ambiente.
Foco agora está nos bens
Nesta fase, a PF quer retirar bens que já estavam sequestrados judicialmente e apreender outros encontrados durante o cumprimento dos mandados. A corporação não informou, nas notas divulgadas, quais são esses bens nem quanto valem.
Os alvos foram indiciados por lavagem de dinheiro, extração ilegal, associação criminosa, uso de explosivos, substância tóxica e usurpação de bens da União. Somadas, as penas previstas podem chegar a 29 anos de reclusão.
A PF não divulgou os nomes dos investigados. Indiciamento não equivale a condenação.
Peso da mineração em Santaluz
Os dados da ANM sobre a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) mostram que a atividade mineral formal ganhou tamanho no município. A arrecadação foi de R$ 234,0 mil em 2021, subiu para R$ 4,9 milhões em 2022 e chegou a R$ 8,6 milhões em 2023.
A série da ANM vai até 2023 e não separa os valores por mina. Por isso, não é possível associar esses recursos aos investigados nem à atividade ilegal descrita pela PF.
O caso se soma a outras ações recentes contra a mineração clandestina. No Rio Madeira, a Operação Nêmesis inutilizou embarcações e equipamentos de garimpo ilegal em Porto Velho, e ninguém foi preso.
O que ainda não se sabe
As informações divulgadas até agora não trazem os nomes dos investigados nem das empresas ou laboratórios envolvidos. Também não está claro quais bens foram apreendidos ou sequestrados, nem qual o valor deles.
Não há dados sobre o volume de ouro produzido ou de rejeito processado. A área e o local exato do dano ambiental, bem como eventual contaminação medida, também não foram informados.
Os veículos não esclarecem se houve prisões. A posição da defesa dos investigados não consta das reportagens.
Fontes desta matéria
- CPG Click Petróleo e Gás, 26/10/2026
- Interior da Bahia, 28/10/2026
- ANM, painel de CFEM por município, 28/10/2026
O que as fontes não cobrem: Nomes dos investigados e das empresas ou laboratórios envolvidos Quais bens foram apreendidos ou sequestrados e seu valor Volume de ouro produzido ou de rejeito processado Área e local exato do dano ambiental e eventual contaminação medida Se houve prisões Posição da defesa dos investigados


