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Vanádio

Largo vê data centers de IA ampliarem mercado do vanádio de Maracás Menchen, na Bahia

Co-CEO Mark Arias aposta em baterias de fluxo para armazenar energia e diz que a Storion, joint venture com a Stryten, já sente procura. A empresa não informa volumes nem contratos.

Por Redação MineraçãoLeitura de 4 min
Vagonetes de mineração enferrujados carregados de minério, sob estrutura metálica de uma área industrial
Imagem ilustrativa. Foto: Castorly Stock / Pexels

A Largo, dona da mina Maracás Menchen, na Bahia, enxerga nos data centers de inteligência artificial um mercado adicional para o vanádio produzido no estado. A avaliação é de Arias, co-CEO da empresa, segundo o CPG Click Petróleo e Gás, o jornal A Tarde e o Itamaraju Notícias, que publicaram o assunto nos últimos dias. A data e o local da fala não foram informados.

Arias aposta em alta da procura por baterias de armazenamento nos Estados Unidos. Maracás Menchen, operada pela Largo, é considerada uma das principais minas de vanádio do planeta.

Maracás Menchen e o peso do vanádio na Bahia

Pelo CPG Click Petróleo e Gás, a mina fica a cerca de 250 quilômetros de Salvador e produz desde 2014, a céu aberto. O teor do minério está entre os maiores do mundo. A Largo tem ações negociadas em Toronto e Nova York, e Maracás Menchen é seu principal ativo.

O vanádio é muito usado na siderurgia, em aços de alta resistência e em ligas para defesa e indústria aeroespacial. Segundo A Tarde, a Bahia lidera a produção de vanádio e de urânio no país e produz 47 das 93 tipologias minerais brasileiras.

Para dimensionar o peso da atividade no município, a CFEM arrecadada em Maracás foi de R$ 3,6 milhões em 2021, R$ 4,5 milhões em 2022 e R$ 5,3 milhões em 2023, conforme o painel da ANM. A série vai até 2023 e não separa os valores por mina.

Baterias de fluxo e a Storion

Em 2025, a Largo e a americana Stryten criaram a Storion Energy, voltada a componentes e eletrólitos de baterias de fluxo de vanádio. Esse tipo de bateria guarda energia em um líquido que contém o metal. As reportagens apontam como vantagens a longa duração, a vida útil elevada e o menor risco de incêndio.

Segundo Arias, a Storion registra demanda forte de data centers por esse tipo de bateria nos últimos dois anos. Ele convidou a parceira americana a visitar a mina e diz que o potencial de ampliar a produção a impressionou.

A Largo espera que data centers no Brasil estimulem uma cadeia nacional de armazenamento com vanádio local. A JLL, citada por A Tarde e pelo Itamaraju Notícias, projeta que a capacidade brasileira desse tipo de instalação dobre antes de 2030. Na metade deste ano, o país somava 706 MW, patamar mais de seis vezes superior ao de 2012, o que equivale a cerca de 15% ao ano.

Contrato com a defesa dos EUA

Em junho, a Largo foi selecionada como fornecedora da DLA, agência de logística da defesa americana, em programa de compras de cinco anos e teto de US$ 125 milhões. Em julho, a DLA fez o primeiro pedido, de US$ 60,1 milhões, de pentóxido de vanádio com alta pureza, a ser entregue até janeiro de 2030.

A Tarde e o Itamaraju Notícias descrevem o valor como financiado pela defesa americana. O CPG Click Petróleo e Gás, fonte mais detalhada, trata o caso como pedido da DLA dentro do programa de compras, e é essa a versão adotada aqui.

O produto baiano irá para estoques estratégicos dos Estados Unidos, com uso em defesa e componentes aeronáuticos. Arias liga o interesse ocidental à tentativa de reduzir a dependência de China e Rússia e defende que o vanádio ganhe mais peso nas políticas de minerais críticos. O tema também aparece na delegação baiana ao Brazil Mining Day, em Sydney, cuja pauta inclui minerais críticos.

Cobre e metais preciosos

Desde agosto, segundo o CPG Click Petróleo e Gás, Maracás recupera concentrado de cobre com ouro, prata, platina e paládio, com aval da ANM.

O que ainda não se sabe

A Largo não informou o volume de vanádio nem a receita que espera dos data centers. A expressão "mercado bilionário" não tem origem esclarecida, porque nenhuma das fontes apresenta valor em dólares. Também não há detalhes de contratos concretos da Storion com data centers.

Seguem sem divulgação a capacidade atual de produção de Maracás Menchen e o plano de ampliação, assim como o volume e o valor do concentrado de cobre e metais preciosos. A data e o local da fala de Arias tampouco foram informados.

Fontes desta matéria

Onde as fontes divergem
  • Quem financiou/encomendou os US$ 60,1 milhões. Tratar como pedido de compra da DLA, conforme fonte mais detalhada; evitar 'aporte' ou 'financiamento'.
  • Origem dos fornecedores dos quais o Ocidente quer reduzir dependência. Usar China e Rússia, citados nominalmente como visão de Arias.

O que as fontes não cobrem: Volume de vanádio ou receita que a Largo espera dos data centers Origem do 'mercado bilionário': ninguém dá valor em dólares Contratos concretos da Storion com data centers Capacidade atual de produção de Maracás Menchen e plano de ampliação Volume e valor da produção do concentrado de cobre e metais preciosos Data e local da fala de Arias

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