Mineração Taboca vai investir US$ 100 milhões para modernizar Pitinga e dobrar capacidade até 2028
Plano apresentado em Manaus prevê troca de frota e ganhos de eficiência na mina amazonense, que produz estanho, nióbio e tântalo desde 1982

A Mineração Taboca vai investir US$ 100 milhões (cerca de R$ 530 milhões) entre 2026 e 2028 para modernizar o complexo de Pitinga, no Amazonas. A meta é dobrar a capacidade produtiva da empresa em mineração e metalurgia até o fim do período.
O plano foi apresentado em Manaus na segunda-feira, 21 de setembro, pelo presidente-executivo da companhia, José Flávio Alves, em encontro com a Fieam, federação presidida por Antônio Silva.
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Segundo o Portal BE News, o investimento inclui a troca dos atuais caminhões de 40 toneladas por modelos de 75 toneladas equipados com tecnologia embarcada. Alves afirmou que os novos veículos poderão, no futuro, operar de forma autônoma.
A empresa diz que o objetivo é aumentar a eficiência operacional e recuperar competitividade, sem detalhar metas de produtividade associadas à troca de equipamentos.
A mina de Pitinga, em Presidente Figueiredo (AM), opera desde 1982 e produz estanho, nióbio e tântalo. Na etapa de lavra, o complexo tem capacidade para movimentar até 9,2 milhões de toneladas de material por ano. No ano passado, foram extraídas 731,1 mil toneladas de minério bruto, das quais 574,3 mil toneladas passaram pelo beneficiamento. Desse processamento saíram 6.432 toneladas de finos de estanho, além de mais 3.712 toneladas somando finos de nióbio e tântalo.
Já a metalurgia instalada em Pitinga tem condições de transformar anualmente até 12 mil toneladas de concentrados, gerando um volume máximo de 4,5 mil toneladas por ano em ligas de ferro-nióbio e ferro-tântalo. O concentrado de estanho segue para a unidade da empresa em Pirapora do Bom Jesus (SP), com capacidade de 8 mil toneladas por ano de estanho refinado grau A; em 2025, a Taboca refinou 5.873 toneladas do metal.
Controle chinês desde 2025
A estatal chinesa CNMC assumiu o controle da Taboca em abril de 2025. Em novembro de 2024, a peruana Minsur já havia fechado a venda integral da companhia, negócio avaliado em US$ 340 milhões, de acordo com o CPG Click Petróleo e Gás. A CNMC atua em mais de 40 países, tem 171 subsidiárias e obtém cerca de 60% de sua receita fora da China.
Segundo divulgação da própria empresa, a Taboca ocupa a posição de maior produtora nacional de estanho refinado, comercializando sob a marca Mamoré cadastrada na London Metal Exchange; a companhia também sustenta possuir a maior reserva mundial de tântalo — dados que esta reportagem não teve como checar de maneira independente.
Empregos gerados pela Mineração Taboca no Amazonas
No estado, a força de trabalho ligada à companhia soma aproximadamente 3 mil pessoas entre postos próprios e terceirizados — 1.450 contratados diretamente e 1.650 por empresas prestadoras de serviço. Cerca de 95% desses trabalhadores residem no estado. Em Pitinga, as escalas somam cerca de dez dias consecutivos, com alojamento e alimentação fornecidos pela empresa.
Do total produzido, cerca de 95% é destinado a compradores da Ásia e da Europa, e apenas 5% abastece o mercado interno, segundo o Portal BE News. O estanho é fundido em São Paulo, enquanto nióbio e tântalo são processados em Porto Velho. A cassiterita extraída em Pitinga segue por rodovia até Manaus e depois por via marítima até o porto de Santos (SP).
CFEM na região
A arrecadação de CFEM em Presidente Figueiredo, onde fica Pitinga, somou R$ 12,1 milhões em 2021, R$ 14,4 milhões em 2022 e R$ 19,3 milhões em 2023, segundo painel da ANM. Em Manaus, a arrecadação foi de R$ 756,6 mil em 2021, R$ 1,1 milhões em 2022 e R$ 944,9 mil em 2023. Em Pirapora do Bom Jesus, onde a Taboca refina estanho, os valores foram de R$ 28,1 mil, R$ 22,8 mil e R$ 29,5 mil no mesmo período, e em Porto Velho somaram R$ 7,4 milhões, R$ 7,0 milhões e R$ 4,7 milhões. A série da ANM vai até 2023 e não separa a arrecadação por mina, o que impede isolar a contribuição específica da Taboca nesses municípios.
O aumento de capacidade projetado pela empresa deve pressionar essa arrecadação para cima nos próximos anos, embora não haja garantia de que o crescimento seja proporcional ao investimento anunciado. Expansões semelhantes no setor de minerais críticos também estão em curso em outros estados.
O que ainda não se sabe
A empresa não detalhou o cronograma de desembolso do investimento ano a ano, nem informou a origem exata dos recursos — se virão de financiamento ou de capital próprio da CNMC. Também não foram apresentados os impactos ambientais da expansão nem o andamento do licenciamento associado ao plano de modernização de Pitinga.
Fontes desta matéria
- CPG Click Petróleo e Gás, 23/09/2026
- Cidades e Minerais, 22/09/2026
- Portal BE News, 28/09/2026
- ANM, painel de CFEM por município, 28/09/2026
O que as fontes não cobrem: Cronograma detalhado de desembolso do investimento por ano Origem exata dos recursos (financiamento, capital próprio da CNMC) Impactos ambientais ou licenciamento associados à expansão