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B3 quer se aproximar de mineradoras pequenas, mas não apresenta novos instrumentos nem prazo

Diretora da bolsa admite lacuna no relacionamento com empresas iniciantes e cita dívida e BDRs. Setor cobra incentivo fiscal como o do Canadá, e o PL 4.975 está parado na Câmara.

Por Redação MineraçãoLeitura de 3 min
Tela de bolsa de valores exibindo números e dados de negociação
Imagem ilustrativa. Foto: Pixabay / Pexels

A B3 quer se aproximar de mineradoras pequenas e de projetos em estágio inicial, mas ainda não diz como. O recado veio de Flávia Mouta, que dirige a área de Listagem e Relacionamento da bolsa, em encontro da ADIMB realizado na sede da B3, na capital paulista, em 19 de outubro. A CNN Brasil registra que a bolsa não trouxe nenhum instrumento novo para a mineração, tampouco um cronograma de implementação.

O Brasil Mineral aponta que o tema da edição XI do Encontro de Executivos foi "Avançar no presente para liderar o futuro".

B3 reconhece lacuna com as juniores

Segundo Mouta, a bolsa tem contato com as grandes mineradoras, e bem menos com as empresas em fase inicial. "Reconhecemos que há um gap aqui e precisamos intensificar essa agenda desde o seu momento muito inicial", afirmou a executiva, conforme o Brasil Mineral e a CNN Brasil.

De acordo com a CNN Brasil, o objetivo é atrair empresas que hoje captam recursos em bolsas estrangeiras para projetos localizados no Brasil.

Mais de 100 empresas listadas no exterior

Segundo a CNN Brasil, um levantamento do setor apresentado à CVM em junho aponta mais de 100 empresas com operação mineral no Brasil listadas fora do país, sobretudo no Canadá e na Austrália. A reportagem não detalha a metodologia nem o autor do estudo.

Entre os exemplos da CNN Brasil estão a St George, de terras raras e nióbio, com projeto em Araxá (MG), e a Viridis, de terras raras, responsável pelo Colossus, em território mineiro. As duas têm ações na bolsa australiana ASX. Também em Minas, o projeto de lítio Bandeira é desenvolvido pela Lithium Ionic, que negocia na TSXV. O site detalhou o projeto Colossus, da Viridis, em Poços de Caldas.

Em Araxá, a arrecadação de CFEM passou de R$ 13,1 milhões em 2021 para R$ 15,2 milhões em 2022 e R$ 18,3 milhões em 2023, segundo o painel da ANM. A série vai até 2023 e não separa os valores por mina, o que impede atribuir o montante a algum projeto específico.

Dívida e BDRs na B3 como alternativa às ações

Mouta lembrou que o financiamento não se resume à emissão de ações: a B3 também tem mercado de dívida e BDRs. Segundo o Brasil Mineral, a diretora disse que o mercado de dívida segue forte, apesar da volatilidade nas ações, em especial na infraestrutura. A Aura Minerals foi citada como exemplo de BDR de mineradora com atuação fora do país.

A executiva também mencionou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, recém-editada, como respaldo ao tema. Conforme as duas publicações, a B3 aprofunda conversas com bolsas internacionais de mineração, como a canadense, para estudar modelos.

Incentivos fiscais no exterior e projeto parado

A CNN Brasil compara o ambiente brasileiro ao de outros países. O Canadá oferece as flow-through shares, mecanismo pelo qual as empresas transferem deduções fiscais a investidores. A Austrália manteve o Junior Minerals Exploration Incentive até junho de 2025, e o setor quer a retomada do programa.

No Brasil, o PL 4.975, de 2023, da deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), cria as ações APEM, voltadas à pesquisa mineral, com dedução no Imposto de Renda. A proposta aguarda o parecer de Sidney Leite (PSD-AM) e não avança no colegiado de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, segundo a CNN Brasil.

O que ainda não se sabe sobre os planos da B3

Segue em aberto quais instrumentos e prazos a B3 prevê para as juniores. Também não constam a metodologia e o autor do levantamento sobre as mais de 100 empresas apresentado à CVM, nem a comparação entre o custo de listagem na B3 e nas bolsas de Toronto e da Austrália. Faltam ainda a posição do governo e da CVM sobre o PL 4.975 e a reação das mineradoras juniores à iniciativa.

Fontes desta matéria

O que as fontes não cobrem: Quais instrumentos ou prazos a B3 pretende lançar para juniores Metodologia e autor do levantamento de mais de 100 empresas apresentado à CVM Custo de listagem na B3 comparado a TSX e ASX Posição do governo ou da CVM sobre o PL 4.975 Reação de mineradoras juniores à iniciativa

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