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Terras raras

Viridis prepara o Projeto Colossus, de terras raras, em Poços de Caldas; moradores temem impactos

Empresa prevê investimento de US$ 450 milhões, cerca de R$ 2 bilhões, e produção em 2028; falta a licença de instalação, e moradores citam poeira, ruído e água.

Por Redação MineraçãoLeitura de 3 min
Vista ampla de uma área de mineração a céu aberto sob céu azul limpo
Imagem ilustrativa. Foto: Daniil Kondrashin / Pexels

A Viridis prepara o Projeto Colossus, empreendimento de terras raras em argilas iônicas em Poços de Caldas (MG). Segundo o CPG Click Petróleo e Gás, o investimento é de US$ 450 milhões, o equivalente a cerca de R$ 2 bilhões. A produção está prevista para 2028, mas a empresa ainda precisa da licença de instalação para começar as obras.

Moradores de bairros próximos questionam o projeto, e o tema ganha peso político: o vice-presidente Geraldo Alckmin visita a cidade no domingo (18), em agenda que, segundo o ncnews.com.br, inclui agronegócio e terras raras. Horário e local não foram detalhados.

Licenciamento e desenho do Projeto Colossus

A licença prévia saiu em dezembro de 2025, depois de análise do Conselho Estadual de Política Ambiental. O empreendimento é enquadrado na Classe 6 do licenciamento estadual, a de maior potencial de impacto.

O terreno soma cerca de 400 hectares, e a operação deve movimentar aproximadamente 5 milhões de toneladas de argila anualmente, de acordo com o veículo. A expectativa é recuperar de 2 a 3 quilos de terras raras por tonelada processada.

A extração usa sulfato de amônio, e a etapa seguinte é a lavagem, que remove resíduos. A empresa fala em cavas menores e em recuperação progressiva do terreno.

Há parceria com a belga Solvay. A Viridis produz um carbonato misto, e o refino e a separação ocorrem em unidade na França. A Solvay não aparece nos textos com posição própria sobre o projeto.

Moradores questionam distância das casas

Em etapa futura, as escavações podem chegar a cerca de 300 metros de residências, segundo o CPG Click Petróleo e Gás. Moradores dos bairros Jardim Contorno e Paraíso contestam a proximidade e citam poeira, ruído, consumo de água e riscos à saúde.

Para Danielle Vilas Boas, do coletivo Rara é a Vida, não faz sentido instalar uma operação desse tamanho próxima à área urbana.

Klaus Petersen, da Viridis Brasil, disse que a empresa avalia adiar as escavações próximas às casas e que o planejamento pode mudar se estudos confirmarem impactos. Para a poeira, a companhia prevê barreiras vegetais e uso de água.

Segundo o ncnews.com.br, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais ouviu em agosto relatos de comunidades sobre projetos perto de áreas residenciais e escolares.

Relatório federal e auditoria pedida ao TCU

Uma comitiva interministerial visitou a região em junho de 2026. O relatório, de 60 páginas e divulgado em 14 de setembro, aponta riscos cumulativos para água, solo, biodiversidade e saúde. O documento não comprova contaminação provocada pelo Colossus; indica riscos que precisam ser analisados no licenciamento.

O Ministério Público junto ao TCU solicitou, no dia 16 de setembro de 2026, uma auditoria operacional sobre a atuação de Ibama, ANM e outros órgãos. O TCU ainda não decidiu.

Em setembro de 2026, o BNDES aprovou R$ 77,5 milhões para tecnologia e instalações demonstrativas. Petersen afirma que o valor está fora do orçamento da mina.

O projeto aparece num momento de atenção aos minerais estratégicos: o site mostrou que dez projetos de minerais críticos no país somam investimentos bilionários, segundo levantamento do Valor.

Peso da mineração na arrecadação local

Os dados de CFEM da ANM ajudam a dimensionar a atividade atual. Poços de Caldas arrecadou R$ 885,8 mil em 2021, R$ 834,5 mil em 2022 e R$ 974,2 mil em 2023. Em Caldas, vizinha, os valores foram R$ 583,2 mil, R$ 544,0 mil e R$ 737,3 mil nos mesmos anos. A série da ANM vai até 2023 e não separa por mina, de modo que não mostra o efeito do Colossus.

O que ainda não se sabe

Não há informação sobre o prazo previsto para a licença de instalação nem sobre a resposta de órgãos ambientais às críticas dos moradores. Também faltam os resultados dos estudos sobre a distância das casas, o volume de produção de terras raras e o número de empregos previstos. A posição da Solvay sobre o projeto igualmente não foi apresentada.

Fontes desta matéria

O que as fontes não cobrem: Prazo previsto para a licença de instalação Resposta de órgãos ambientais às críticas dos moradores Resultado de estudos sobre distância das casas Volume de produção de terras raras e empregos previstos Posição da Solvay sobre o projeto

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