Lynas acordou comprar a Meteoric e fica com o Projeto Caldeira, de terras raras em Poços de Caldas
Acordo anunciado em 30 de setembro vale A$ 968 milhões e depende do aval do Conselho de Minerais Críticos; Viridis e outras australianas também disputam o Planalto.

A australiana Lynas fechou acordo para comprar 100% da Meteoric, que controla o Projeto Caldeira, de terras raras, localizado no Planalto de Poços de Caldas (MG). O anúncio foi feito em 30 de setembro de 2026, segundo G1, InfoMoney e BNamericas. Com a operação, o projeto passa de uma australiana a outra.
O negócio vale A$ 968 milhões. Em dólares, o valor fica em torno de US$ 672 milhões, pelo InfoMoney, ou US$ 673 milhões, pelo BNamericas. Em reais, o InfoMoney fala em R$ 3,4 bilhões, e o G1, em R$ 3,5 bilhões. A diferença vem da conversão cambial.
Operação em ações e aval do governo
A transação será paga integralmente em ações. Segundo o BNamericas e o InfoMoney, os acionistas da Meteoric ficarão com cerca de 5,9% da Lynas. O InfoMoney informa que a razão de troca é de 0,0207 nova ação da Lynas por papel da Meteoric.
O acordo depende de aprovação do Conselho de Minerais Críticos (CIMCE), que reúne 13 ministérios e tem poder de veto. De acordo com a Defesa em Foco e o BNamericas, a lei que criou o colegiado, a 15.506, é de 16 de setembro de 2026 e foi sancionada pelo presidente Lula poucos dias antes do anúncio.
Andrew Tunks, presidente-executivo da Meteoric, disse, segundo o BNamericas, que "a Lynas manteve contato direto com o Governo Federal e com o BNDES para garantir que não haja atrasos no desenvolvimento de Caldeira".
John Humphrey, que preside o Conselho de Administração da Lynas, descreveu o projeto, segundo o BNamericas, como "o maior recurso mineral conhecido de terras raras em argilas iônicas fora da China", pelo critério do código JORC.
O que a empresa projeta para o Projeto Caldeira
Pelo estudo de viabilidade definitivo, o investimento é de cerca de US$ 498 milhões, segundo o InfoMoney. O BNamericas arredonda para US$ 500 milhões. A produção está prevista para 2028.
A produção média anual projetada é de 3,9 mil toneladas de NdPr e 127 toneladas de DyTb, conforme InfoMoney e G1. Em outra versão citada pelo G1, o número de NdPr aparece como 3.862 toneladas.
Segundo a empresa, a área é de 425 hectares, e os recursos somam 128 milhões de toneladas, com 802 mil toneladas de NdPr e 41 mil toneladas de DyTb. A Defesa em Foco traz números diferentes de área e de recurso, e esses dados não foram usados aqui.
O G1 cita ainda estimativas de que o depósito poderia atender a até 20% da demanda global. Ouvido pelo G1, o geólogo Álvaro Fochi diz que a cratera, com cerca de 800 km², poderia render até 300 milhões de toneladas, mas ressalva que esse não é um volume comercial.
A argila iônica fica perto da superfície e permite lavra a céu aberto, mais barata que a de outras minas fora do Brasil, segundo o G1. O Bradesco BBI acrescenta que esse tipo de depósito exige menos capital que o de rocha dura.
Mercado reage e outras empresas disputam a região
Na bolsa, as ações da Meteoric subiram até 56%, a A$ 0,26, e as da Lynas caíram 6,4% por dúvidas de investidores, segundo o InfoMoney. O Bradesco BBI calcula que o prêmio sobre o preço de mercado da Meteoric passa de 60%.
O Itaú BBA vê Caldeira como referência para outros projetos. Na avaliação do banco, o Colossus, da Viridis, tem valor possível na faixa de US$ 750 milhões a US$ 950 milhões, contra cerca de US$ 430 milhões hoje. As contas implicam alta de 74% a 121%.
Também em Poços de Caldas, o Colossus ocupa 373 hectares. Por ano, a Viridis pretende tratar 5 milhões de toneladas de argila e obter 2.843 toneladas de NdPr, ao longo de 40 anos de operação. A produção também é esperada para 2028, segundo G1 e BNamericas.
Meteoric e Viridis compraram seus projetos em 2023, e ambos estão em licenciamento ambiental, segundo o G1. A Power Minerals concluiu em abril a compra do Morro do Ferro, em Poços de Caldas, por cerca de R$ 80 milhões, conforme o mesmo veículo.
Pelos dados da ANM citados pelo G1, o país tinha 1.882 autorizações de pesquisa de terras raras em 2025, das quais 361 em Minas Gerais, cerca de 19%. Aproximadamente um terço delas está em Poços de Caldas. O tema já havia aparecido quando Romeu Zema defendeu a produção de superímãs em visita a Poços de Caldas.
Peso da mineração nos municípios
A arrecadação de CFEM dá uma medida do tamanho atual da atividade na região. Segundo o painel da ANM, Poços de Caldas arrecadou R$ 974,2 mil em 2023, ante R$ 834,5 mil em 2022. Caldas somou R$ 737,3 mil em 2023, e Andradas, R$ 20,3 mil. A série vai só até 2023 e não separa os valores por mina.
O que ainda não se sabe
As fontes não informam o prazo de análise do CIMCE nem a data de fechamento do negócio. Também não há posição do governo federal sobre a compra. Faltam detalhes sobre a etapa e os prazos das licenças ambientais de Caldeira e do Colossus.
Os materiais não tratam do impacto local em emprego, receita e comunidades, nem da reação dos municípios. Segundo a Defesa em Foco, a Lynas avalia processamento adicional no Brasil, mas isso não é decisão de investimento, e segue em aberto se a empresa processará aqui ou exportará concentrado. A mesma fonte diz que não há confirmação de destino militar para o minério de Caldeira.
Fontes desta matéria
- G1, 02/10/2026
- bnamericas.com, 01/10/2026
- Defesa em Foco, 01/10/2026
- InfoMoney, 01/10/2026
- ANM, painel de CFEM por município, 02/10/2026
- Valor do negócio em reais/dólares. Usar A$ 968 mi como base e citar ~US$ 672 mi; reais como aproximação.
- Capex de Caldeira. Usar US$ 498 milhões, citando ~US$ 500 mi.
- Área e recurso de Caldeira. Defesa em Foco diverge; omitir ou atribuir cada dado à fonte.
- Situação da Serra Verde. Dizer que USA Rare Earth comprou Serra Verde por US$ 2,8 bi, sem precisar etapa.
- Quantas australianas no Sul de MG. Com a compra, Caldeira passa à Lynas, também australiana.
O que as fontes não cobrem: Prazo de análise do CIMCE e data de fechamento Posição do governo federal sobre o negócio Licença ambiental de Caldeira e Colossus: etapa e prazos Impacto local em emprego, receita e comunidades Se Lynas processará no Brasil ou exportará concentrado Reação dos municípios


