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Energy Fuels tem 19 títulos de pesquisa mineral no extremo sul da Bahia, e o projeto preocupa ambientalistas

Áreas em Nova Viçosa, Caravelas, Alcobaça e Prado buscam titânio, cassiterita e ilmenita. A empresa não se manifestou nos textos apurados, e o estágio dos processos na ANM não foi informado.

Por Redação MineraçãoLeitura de 3 min
Trabalhador perfura uma parede de rocha irregular ao ar livre
Imagem ilustrativa. Foto: Rajesh Ram / Pexels

A Energy Fuels, multinacional de urânio com sede nos Estados Unidos, está no centro de um projeto de pesquisa mineral que preocupa ambientalmente o extremo sul da Bahia. O empreendimento reúne 19 títulos minerários, voltados à pesquisa de titânio, cassiterita e ilmenita, segundo o site Folha de Sabará e a RCWTV, que publicaram o assunto em 13 de outubro de 2026.

Os dois veículos informam que a notícia original é do Jornal Em Tempo e foi republicada por outros meios na mesma data. A Redação Mineração não teve acesso a documentos dos processos nem a manifestação da empresa.

Onde ficam os títulos da Energy Fuels

As áreas se distribuem por quatro municípios baianos: Nova Viçosa, Caravelas, Alcobaça e Prado. O conjunto fica na divisa com Minas Gerais.

Segundo os dois veículos, a região reúne biodiversidade, praias, áreas protegidas, povos indígenas e comunidades tradicionais. É esse conjunto de características que sustenta a preocupação ambiental atribuída ao projeto.

A RCWTV cita a Rede Sindijori MG, segundo a qual o caso mobiliza entidades e moradores em defesa dos ecossistemas locais. O texto não detalha quais entidades e quais moradores participam, nem os riscos que apontam.

O que a pesquisa mira

Os 19 títulos têm como alvo titânio, cassiterita e ilmenita. A ilmenita é um mineral de titânio, e a cassiterita é a principal fonte de estanho. Os textos apurados não dizem se há pesquisa de urânio, atividade pela qual a empresa é conhecida, ou se o foco se restringe a esses três minerais.

Também não informam o estágio dos processos na Agência Nacional de Mineração (ANM), o tamanho das áreas nem o prazo da pesquisa. Sem esses dados, não é possível dizer se há trabalho de campo em andamento ou se os títulos ainda aguardam etapas formais.

O tema surge quando o governo federal avança na regulação do setor. A política de minerais críticos foi regulamentada por decreto, com regras para investidores de fora. Os textos sobre o caso baiano, porém, não relacionam o projeto a essa política.

O peso da mineração nos municípios

A arrecadação de Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) ajuda a dimensionar a atividade mineral nos quatro municípios. A série da ANM vai até 2023 e não separa os valores por mina.

Em Nova Viçosa, a CFEM foi de R$ 0,0 mil em 2021, 2022 e 2023. Em Caravelas, ficou em R$ 0,0 mil em 2021, subiu a R$ 0,3 mil em 2022 e voltou a R$ 0,0 mil em 2023.

Alcobaça tem os maiores valores do grupo: R$ 32,1 mil em 2021, R$ 41,7 mil em 2022 e R$ 49,1 mil em 2023. Em Prado, a arrecadação foi de R$ 5,6 mil em 2021, R$ 5,4 mil em 2022 e R$ 4,6 mil em 2023.

Os números indicam que a mineração em operação tem peso fiscal pequeno ou nulo nesses municípios. Os dados não dizem nada sobre as áreas sob pesquisa, que em geral ainda não geram CFEM, e não permitem projetar o que ocorreria caso algum título avançasse.

O que ainda não se sabe

A Energy Fuels não tem posicionamento sobre o projeto nos textos apurados, e a Redação Mineração não confirma a versão da empresa. Não há informação sobre o estágio dos títulos na ANM nem sobre a existência de licença ambiental.

Faltam também a identificação das entidades e dos moradores que protestam e os riscos que apontam. Os textos não esclarecem se a pesquisa envolve urânio ou apenas titânio, cassiterita e ilmenita. Não trazem a posição de órgãos ambientais, da Funai ou das comunidades indígenas da região. Tampouco informam a área dos títulos, em hectares, e o prazo da pesquisa.

Redação Mineração

Fontes desta matéria

O que as fontes não cobrem: Posicionamento da Energy Fuels sobre o projeto Estágio dos títulos na ANM e se há licença ambiental Quais entidades e moradores protestam e quais riscos apontam Se há pesquisa de urânio ou apenas titânio, cassiterita e ilmenita Posição de órgãos ambientais, Funai e comunidades indígenas Áreas em hectares e prazo da pesquisa

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