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Vale mira 700 mil toneladas de cobre, alta de 84%, puxada por Carajás, diz CEO em Londres

Gustavo Pimenta falou no FT Metals & Mining Summit. A produção atual é de cerca de 380 mil toneladas, e o executivo não cravou o ano da meta, só falou em "próximos anos".

Por Redação MineraçãoLeitura de 4 min
Vista aérea de área de mineração cercada de mata, com pilhas de material e correias transportadoras
Imagem ilustrativa. Foto: Tom Fisk / Pexels

Carajás (PA) será o principal motor do plano da Vale de levar a produção de cobre dos atuais cerca de 380 mil toneladas a 700 mil toneladas. O plano foi apresentado pelo CEO, Gustavo Pimenta, no FT Metals & Mining Summit, em Londres, em entrevista a Camila Hodgson, do Financial Times. A Vale Base Metals, unidade de metais básicos da companhia, é a peça central da estratégia, segundo o relato de BPMoney e InfoMoney.

A diferença entre os dois patamares é de 320 mil toneladas, uma alta de cerca de 84%, conforme cálculo da redação a partir dos números do executivo.

Prazo da meta de cobre não foi fixado

BPMoney e InfoMoney trazem 2035 nos títulos, mas esse ano não aparece como dito por Pimenta. Segundo o InfoMoney, o CEO falou em "próximos anos" e em uma visão de cinco anos. O BPMoney menciona um horizonte de alguns anos. O ano exato da meta de 700 mil toneladas, portanto, não foi informado.

Pimenta afirmou ainda que dois projetos de cobre estão em construção. Os nomes e o cronograma deles não constam do material divulgado.

"Acredito fortemente que nossa história no cobre é a mais subestimada do setor hoje." (Gustavo Pimenta, CEO da Vale, ao Financial Times, segundo BPMoney e InfoMoney)

Vale Base Metals e o peso no EBITDA

Segundo os veículos, a Vale Base Metals responde hoje por cerca de 30% do EBITDA da Vale. O CEO indicou que a fatia pode passar de 40% com a expansão.

Pimenta disse que a infraestrutura já instalada, como porto e ferrovia, reduz o capital necessário. Em média, o projeto usaria metade do que exigiria uma mina nova típica, em área sem estrutura. A empresa diz que essa baixa intensidade de capital permite conciliar crescimento e pagamento de dividendos. Datas e valores de dividendos não foram divulgados, e o investimento total da expansão também não.

Sobre a abertura de capital da Vale Base Metals, o CEO descartou um IPO no curto prazo e negou que haja oferta iminente. Ele classificou a operação como "É um meio para um fim", segundo os veículos.

O cobre já ganha peso na pauta mineral paraense. As exportações minerais do Pará no primeiro semestre tiveram o metal entre os destaques.

Minério de ferro, Simandou e demanda de aço

No minério de ferro, Pimenta projeta que a produção, hoje entre 335 milhões e 338 milhões de toneladas, suba para cerca de 360 milhões de toneladas em cinco anos, com um mix de produtos mais qualificado.

Já Simandou, na Guiné, representaria para o CEO somente a reposição de minas em exaustão, algo que ele estima em 60 milhões a 80 milhões de toneladas por ano. Para ele, o mercado segue equilibrado. O minério guineense tem mais alumina, o que, segundo o executivo, valoriza os produtos brasileiros de baixa alumina.

Pelo lado da demanda, Pimenta citou que a produção chinesa de aço bruto está um pouco acima de 1 bilhão de toneladas, com recuo leve. O Vietnã triplicou a produção, e a Índia passou de 170 milhões para cerca de 600 milhões de toneladas. A relação com a CMRG, disse, é construtiva, e os temas em pauta são descarbonização e blending.

Carajás, licenciamento e o peso da mineração

Segundo Pimenta, a mineração equivale a cerca de 4% do PIB do Brasil, enquanto na Austrália passa de 10%. Defendeu um licenciamento mais ágil, associado a uma agenda responsável. Sobre Carajás, disse que as operações ocupam entre 2% e 3% da área e que 800 mil hectares de floresta foram preservados.

A região também depende da logística da companhia. A Vale recebeu parte dos carros do novo trem de passageiros da Estrada de Ferro Carajás, mas a obra de cobre é outra frente.

Para dimensionar o peso da mineração em Parauapebas (PA), a CFEM arrecadada no município foi de R$ 2.457,5 milhões em 2021, R$ 1.385,1 milhões em 2022 e R$ 1.192,9 milhões em 2023. A série da ANM vai até 2023 e não separa os valores por mina, então não mostra quanto vem do cobre.

O que ainda não se sabe

Os veículos não informam os nomes nem o cronograma dos dois projetos de cobre em construção, e o investimento total da expansão segue em aberto. Também não está claro quanto da nova produção virá de Carajás e quanto de outras operações, nem em que ano a Vale pretende chegar às 700 mil toneladas. Datas e valores de dividendos tampouco foram detalhados.

Fontes desta matéria

Onde as fontes divergem
  • Prazo da meta de cobre. Atribuir ao CEO 'próximos anos'/cinco anos; mencionar 2035 só como leitura dos veículos, sem ano dito por Pimenta.

O que as fontes não cobrem: Nomes e cronograma dos dois projetos de cobre em construção Capex total da expansão Quanto vem de Carajás versus outras operações Ano exato da meta de 700 mil t Datas e valores de dividendos

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