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Mineração no Pará

Além da Vale, novas empresas avançam com pedidos de pesquisa e lavra em Carajás

Levantamento na ANM identifica centenas de áreas ativas em Canaã dos Carajás, Parauapebas e Marabá, com processos de cobre, ouro, níquel, manganês, chumbo e lítio além de ferro

Por Redação MineraçãoLeitura de 4 min
Vista aérea de mina a céu aberto com maquinário e vias de acesso entre a paisagem
Imagem ilustrativa. Foto: Volker Braun / Pexels

Um levantamento na Agência Nacional de Mineração (ANM) mostra que, em Carajás, dezenas de empresas além da Vale avançam com pedidos de pesquisa e lavra mineral. De acordo com a Gazeta Carajás, o total de áreas ativas soma centenas de processos em Canaã dos Carajás, Parauapebas e Marabá, os três municípios paraenses analisados.

As novas frentes não se limitam a ferro e cobre, os minérios tradicionais da região. Segundo o jornal, há pedidos voltados a ouro, níquel, manganês, chumbo e lítio.

Canaã dos Carajás concentra pedidos de cobre

Em Canaã dos Carajás, a Planalto Mineração soma cinco processos de cobre e ouro, em cerca de 3,8 mil hectares. Os processos já estão em fase de requerimento de lavra, e a Gazeta Carajás registrou movimentação nesse trâmite no início do segundo trimestre de 2026.

A Smart Nickel Mineração tem requerimento de lavra para níquel em 2 mil hectares no mesmo município; o processo teve movimentação registrada no início de 2025.

Em Canaã, os pedidos recentes de pesquisa de cobre ultrapassaram, juntos, 4 mil hectares nos últimos dois anos. Dois pedidos da Guimarães Empresarial e Participações somam cerca de 1,9 mil hectares, e o pedido da Goldex Trading cobre 787 hectares. Já a Translacerda Transportes possui processo de 49 hectares, resultante do desmembramento de uma área maior.

Ligga amplia Ferro Sul com parceria da Vale

Entre Parauapebas e Curionópolis, a Ligga opera a mina Ferro Sul e tem processos de ferro e cobre em andamento. O processo de ferro abrange cerca de 5,7 mil hectares e está em requerimento de lavra; o de cobre soma cerca de 1,8 mil hectares. A movimentação de ambos os processos, apurada pela Gazeta Carajás, ocorreu na virada do terceiro trimestre de 2026.

A Ligga é ligada à Corex Holding e fechou parceria com a Vale, que se tornou acionista minoritária da empresa em aporte que ajuda a financiar a expansão da mina, hoje com produção na casa dos milhões de toneladas por ano, para um patamar bem maior até 2028. Pelo acordo, a Vale deverá comprar a produção de minério da Ferro Sul prevista no plano.

Parauapebas tem cobre, ouro, ferro e pedido de lítio

Ainda em Parauapebas, a 3D Minerals tem duas autorizações de pesquisa de cobre que somam cerca de 7 mil hectares, com taxas anuais quitadas na metade de 2026. No Pará como um todo, a empresa detém direitos sobre 18 áreas, com foco em cobre e níquel.

A SCM Mineração tem requerimento de lavra para ouro em cerca de 162 hectares; novos documentos foram protocolados no início do terceiro trimestre de 2026. A J&B Eleuterio Mining tem autorização de pesquisa de ferro em 87 hectares, com guia de utilização válida por três anos.

Um requerimento de pesquisa de lítio em cerca de 4,6 mil hectares foi protocolado recentemente por Diogo Assad Boechat. A existência de reserva na área ainda não está confirmada pelo pedido, aponta a publicação.

Marabá lidera em volume de áreas

Entre os três municípios, é em Marabá que se concentra o maior número de áreas com processos ativos. Neste ano, a FZ obteve três alvarás de pesquisa de cobre em Marabá, que juntos ultrapassam 23 mil hectares; dois foram concedidos no início de julho e o outro poucos dias depois, todos válidos por três anos.

Com duas autorizações de pesquisa de ouro somando mais de 17 mil hectares, a Auralite Brazil Pedras Preciosas quitou as taxas anuais em julho. A 3D Minerals também tem autorizações para cobre e manganês em Marabá, somando cerca de 15,6 mil hectares, e comunicou recentemente o início da pesquisa em um dos processos.

Vale aposta em cobre e cita licenciamento como obstáculo

Enquanto novas empresas chegam, a Vale reforça sua própria estratégia na região. De acordo com o Portal BE News, Gustavo Pimenta, CEO da Vale, disse que os projetos de cobre em Carajás representam a principal fonte de geração de valor da mineradora, com capacidade produtiva que pode alcançar 700 mil toneladas por ano. Ele citou retorno de 20% ou mais nesses projetos e apontou o licenciamento ambiental como o principal obstáculo do setor no mundo.

"Eu acho que hoje, o nosso potencial de destravamento de valor está no investimento daquilo que a gente já tem escala, tem projeto e consegue alocar capital relevante", disse Pimenta, segundo o Portal BE News.

O peso da CFEM nos três municípios

Dados da ANM sobre a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) ajudam a dimensionar o peso da mineração nos três municípios. Em Canaã dos Carajás, a arrecadação foi de R$ 1.857,0 milhões em 2021, R$ 1.060,7 milhões em 2022 e R$ 1.043,5 milhões em 2023. Em Parauapebas, os valores foram de R$ 2.457,5 milhões, R$ 1.385,1 milhões e R$ 1.192,9 milhões nos mesmos anos. Já em Marabá, a CFEM somou R$ 161,3 milhões, R$ 144,8 milhões e R$ 180,4 milhões. A série da ANM vai até 2023 e não separa a arrecadação por mina.

O que ainda não se sabe

O levantamento não indica quando as empresas citadas pretendem iniciar a lavra efetivamente, nem qual o investimento financeiro estimado em cada projeto. Também não há informação sobre o impacto socioambiental das novas áreas nem sobre a posição de comunidades locais. Além da Ligga e da Vale, as demais empresas mencionadas não têm posicionamento oficial registrado sobre os processos.

Fontes desta matéria

O que as fontes não cobrem: Quando essas empresas pretendem iniciar a lavra efetivamente Investimento financeiro estimado de cada empresa nos projetos Impacto socioambiental e posição de comunidades locais sobre as novas áreas Posicionamento oficial das empresas citadas além da Ligga e da Vale

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