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Lítio em Portugal

Moradores bloqueiam obras da Savannah na Mina do Barroso, e a empresa suspende o trabalho no terreno

Protesto em Covas do Barroso, em Boticas, reuniu cerca de 30 pessoas contra o projeto de lítio. A associação local promete endurecer a resistência diante da posição do Governo português.

Por Redação MineraçãoLeitura de 3 min
Vista aérea de terreno de relevo ondulado com marcas de escavação e atividade de extração mineral à luz do dia
Imagem ilustrativa. Foto: marcin studio / Pexels

Moradores de Covas do Barroso, localidade do concelho de Boticas, em Portugal, bloquearam na manhã de sexta-feira, 9 de outubro de 2026, trabalhos da Savannah em baldios sujeitos a servidão administrativa. A área integra a Mina do Barroso, projeto de lítio da empresa. A SÁBADO informa que a Savannah parou o trabalho no terreno, por precaução e em articulação com as autoridades.

A empresa afirma que outras frentes do projeto continuam. A Savannah não detalha, nas informações reunidas, quando os trabalhos no local serão retomados.

Quantos participaram do bloqueio na Mina do Barroso

Pelos números da associação, repetidos pela agência Lusa e pelo Correio da Manhã, cerca de 30 pessoas participaram. A RTP contou quase três dezenas de manifestantes pouco depois das 8h00. A SÁBADO informa que a GNR, pelo Comando de Vila Real, identificou 27 pessoas no local.

A diferença entre as contagens é pequena e decorre de quem contou e do momento da contagem. Os números da organização e o da GNR são versões distintas do mesmo protesto.

O que pede a associação

Para a entidade que reúne os opositores ao projeto, o bloqueio pretende parar por completo os trabalhos numa área da servidão. Segundo a RTP, a SÁBADO e o Correio da Manhã, a associação pretende escalar a resistência por causa da inflexibilidade do Governo.

O presidente da associação, Nélson Gomes, descreveu o bloqueio como último recurso. "Estamos em luta há quase dez anos", afirmou à RTP.

Gomes afirma ter apoio total da Câmara de Boticas, segundo a SÁBADO. A reportagem não traz manifestação da autarquia sobre isso. A SÁBADO também registra que estavam marcadas para a tarde ações de apoio ao bloqueio em Lisboa, Porto, Coimbra e Braga.

Licenças, servidão e disputa judicial na Mina do Barroso

Segundo a SÁBADO, o projeto tem duas licenças: uma de 2006, com validade de 30 anos, e outra de 2024, por 25 anos. Pelo site da própria Savannah, a Mina do Barroso seria o maior depósito de lítio do tipo espodumena em rocha dura da Europa, e a lavra seria a céu aberto.

De acordo com O Amarense e o JORNAL ONLINE | PORTUGAL, o Ministério do Ambiente autorizou em maio uma segunda servidão, abrangendo 24 parcelas. Os trabalhos previstos são geotécnicos e preparatórios do Relatório de Conformidade Ambiental.

Os baldios de Covas do Barroso obtiveram então uma providência cautelar. Os trabalhos ficaram parados por cerca de 20 dias e foram retomados após uma resolução fundamentada do Governo, segundo os dois veículos.

A SÁBADO relata que o tribunal de Mirandela aceitou, em junho de 2026, uma cautelar que suspendia a segunda servidão e a exploração. As fontes reunidas divergem quanto ao efeito dessa decisão, e a matéria não afirma que haja suspensão em vigor.

Licença ambiental e acusações

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) emitiu em 2023 uma Declaração de Impacte Ambiental favorável condicionada. Entre as condicionantes, segundo a SÁBADO e O Amarense, estão a proibição de captar água no rio Covas e a exigência de que o corte da vegetação fosse feito de setembro de 2023 a março de 2024.

Gomes acusa a empresa de desmatar fora desse prazo e de retirar água de ribeiros, que ele diz estarem secos. O Amarense registra que não há confirmação independente dessas alegações.

Ainda segundo O Amarense, Gomes citou cerca de dez iniciativas de mineração e solicitações de prospeção na região do Barroso.

Cronograma da empresa

A Savannah planeia iniciar a construção em 2027 e a primeira produção em 2028, segundo O Amarense e a RTP. A suspensão desta sexta-feira, se prolongada, pode pressionar esse calendário, mas a empresa não comentou esse efeito.

O que ainda não se sabe

As reportagens não trazem a posição do Governo nem do Ministério do Ambiente sobre o bloqueio. Também não está claro quanto tempo o protesto deve durar nem quando a Savannah retoma os trabalhos no terreno. A empresa não respondeu, nas informações disponíveis, às acusações de desmatação e de captação de água. Falta ainda esclarecer a situação atual do processo judicial e o prazo para uma decisão. O investimento total do projeto também não foi informado.

Fontes desta matéria

Onde as fontes divergem
  • Número de manifestantes. Usar 'cerca de 30' (organização) e 27 identificados pela GNR, atribuídos.
  • Decisão judicial sobre segunda servidão. Priorizar os 20 dias e a retomada; mencionar o caso em tribunal sem afirmar suspensão em vigor.

O que as fontes não cobrem: Posição do Governo/Ministério do Ambiente sobre o bloqueio Duração prevista do bloqueio e quando a Savannah retoma os trabalhos Resposta da Savannah às acusações de desmatação e captação de água Situação atual do processo judicial e prazo de decisão Investimento total do projeto

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