Reciclagem de lítio e níquel pode cortar até 50% da demanda da UE até 2040, diz estudo do Öko-Institut
Trabalho encomendado por ONGs europeias também vê redução de até 70% na necessidade de cobalto novo. Quarenta organizações pedem que Bruxelas aja, e Portugal e o lítio de Covas do Barroso entram no debate.

A reciclagem de lítio e de níquel pode reduzir em até 50% a demanda da União Europeia por esses metais em forma nova até 2040, segundo estudo do Öko-Institut divulgado em 19 de outubro de 2026. A conclusão foi publicada pelo Jornal PT Green e pela Renascença.
O mesmo trabalho calcula que o reaproveitamento de materiais pode diminuir em até 70% a necessidade de cobalto novo no bloco, também até 2040. O estudo parte do transporte rodoviário e da descarbonização do setor.
Quem encomendou e quem assina o estudo
A pesquisa foi encomendada por SOMO, Seas At Risk e PowerShift, entidades vinculadas à coligação europeia do setor de matérias-primas. A coligação reúne mais de 60 organizações.
O título do trabalho é "Decarbonising Road Transport Beyond Mining-Intensive Pathways". O autor é a Öko-Institut Consult gGmbH, da Alemanha, segundo a Renascença.
Com base nos resultados, a Sciaena e outras 39 organizações, 40 no total, pedem à União Europeia ação rápida. Os dois veículos divergem só na forma de contar: o Jornal PT Green fala em Sciaena e mais 39, a Renascença em 40, números compatíveis.
O que mais o estudo propõe além da reciclagem de lítio
A reciclagem de lítio e de outros metais é uma das frentes, mas não a única. Segundo a Renascença, o estudo aponta mais quatro caminhos para reduzir a pressão sobre a mineração. Um deles é incentivar carros elétricos menores e mais acessíveis.
As organizações pedem que a revisão das normas de CO2 e da diretiva de rotulagem de automóveis passe a pesar a eficiência dos veículos. Querem também que o transporte público e a mobilidade ativa sejam financiados com recursos do orçamento do bloco para o período 2028-2034, da RTE-T e dos planos de mobilidade urbana.
Posição das ONGs e o lítio em Portugal
Catarina Abril, da Sciaena, onde é responsável por Políticas de Pescas e Clima, defende que a transição não pode ser feita à custa de territórios e comunidades. Segundo ela, é preciso "evitar que a descarbonização se torne um argumento para expandir a mineração em territórios ambientalmente valiosos".
Em declaração ao Jornal PT Green, a diretora executiva da Seas At Risk, Monica Verbeek, afirmou que há alternativas à extração e que elas reduzem a pressão por exploração, incluindo a do mar profundo.
Entre os maiores recursos de lítio conhecidos da Europa estão alguns de Portugal. Os dois veículos citam Covas do Barroso, onde atua a Savannah, como caso de controvérsia. Segundo as organizações, ouvidas pelo Jornal PT Green, moradores bloquearam máquinas da empresa em protesto.
O site já noticiou que a Associação Futuro do Barroso defende o projeto de lítio da Savannah e contesta os protestos em carta aberta. Também publicou que a APA emitiu declaração de impacte ambiental favorável condicionada à variante de Boticas, financiada pela empresa.
Os relatos sobre o estudo não ligam diretamente suas projeções ao projeto da Savannah. A menção a Covas do Barroso aparece como exemplo de conflito em torno da mineração de lítio no país.
O que ainda não se sabe
As reportagens não informam o volume absoluto de lítio e de níquel que seria poupado, em toneladas. Também não detalham as premissas do estudo, como taxas de coleta, tecnologia empregada e tamanho da frota elétrica considerada.
Tampouco há dados sobre a capacidade atual de reciclagem de baterias na União Europeia, o que dificulta medir a distância entre o cenário projetado e a situação de hoje.
Não consta resposta da Comissão Europeia nem da indústria de mineração às conclusões e aos pedidos das organizações. A posição da Savannah Resources sobre o estudo e sobre os protestos em Covas do Barroso igualmente não foi divulgada nas reportagens.
Fontes desta matéria
- Jornal PT Green, 19/10/2026
- Renascença, 19/10/2026
- Número de organizações que apelam à UE. Compatíveis: usar 40 organizações no total, incluindo a Sciaena.
O que as fontes não cobrem: Volume absoluto de lítio e níquel que seria poupado, em toneladas Premissas do estudo (taxas de coleta, tecnologia, frota elétrica) Capacidade atual de reciclagem de baterias na UE Resposta da Comissão Europeia ou da indústria de mineração Posição da Savannah Resources sobre o estudo e os protestos


