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Terras raras

Origen Resources negocia 70% do projeto de terras raras Campo de Cima, na divisa entre Bahia e Piauí

Mineradora canadense depende de acordo definitivo com a Santa Rosa; alvo prioritário tem 24 km² e o maior teor informado é de 282 ppm de TREO+Y, em fase preliminar

Por Redação MineraçãoLeitura de 3 min
Cientista de luvas examina amostras de solo em placas de Petri sobre fundo branco
Imagem ilustrativa. Foto: Mikhail Nilov / Pexels

A canadense Origen Resources negocia a entrada em 70% do projeto de terras raras Campo de Cima, numa área de 33.075 hectares entre a Bahia e o Piauí. Segundo a empresa, em comunicado reproduzido pelo bpmoney e pelo CPG Click Petróleo e Gás, a operação depende de um acordo definitivo que ainda não foi assinado. A data do comunicado não consta do material divulgado, e a empresa não informa prazo para a assinatura.

Os direitos pertencem hoje à Santa Rosa. Depois de cumpridas as etapas previstas, a Origen ficaria com 70% de uma joint venture, e a Santa Rosa, com 30%.

O que a Origen Resources encontrou em campo

Na checagem de campo, a Origen identificou anomalias de terras raras em uma faixa aproximada de 4 km por 6 km. O alvo prioritário tem cerca de 24 km². A própria empresa classifica o trabalho como preliminar e diz que não há avaliação de potencial econômico.

O maior teor informado é de 282 ppm de TREO+Y, sigla para óxidos totais de terras raras mais ítrio. Teor médio das amostras e profundidade da argila não foram divulgados.

A campanha inicial foi feita pela Santa Rosa: 33 amostras de solo, com espaçamento de cerca de 1,5 km. Sete delas apresentaram teores elevados, o equivalente a cerca de 21% do total, pelo cálculo da Redação. Quem fez as análises foi a SGS Geosol, laboratório com certificações ISO 9001 e ISO 14001, ambas na versão de 2015.

Argilas de adsorção iônica como referência

Segundo a Origen, a mineralização é compatível com argilas de adsorção iônica, em perfis lateríticos sobre o Grupo Rio Preto. A empresa compara o alvo a Caldeira, em Minas Gerais, e a Serra Verde, em Goiás, também associados a esse tipo de depósito.

Caldeira é o projeto que a Lynas acordou comprar ao adquirir a Meteoric, negócio anunciado em 30 de setembro e que depende de aval do Conselho de Minerais Críticos.

Os comunicados também mencionam um estudo de 2025 de quatro autores: Russo, González-Álvarez, Cocker e McCoy-West. O trabalho atribui a esses depósitos cerca de 80% da oferta global de terras raras pesadas. A comparação é da Origen: o texto não indica que Campo de Cima tenha recurso semelhante.

Os termos do acordo com a Santa Rosa

Pelos termos divulgados, a Santa Rosa receberá US$ 100 mil e 2 milhões de ações no pagamento inicial. No segundo aniversário do contrato, vêm mais US$ 100 mil e 4 milhões de ações. Somadas, as duas parcelas chegam a US$ 200 mil em dinheiro e 6 milhões de ações, conforme a conta da Redação.

A Origen também assume o compromisso de gastar US$ 1,5 milhão em exploração nos dois anos seguintes ao fim da diligência. Só então se forma a joint venture, com 70% para a canadense e 30% para a Santa Rosa.

A Santa Rosa mantém royalty de 2% sobre a produção futura. Antes do início da produção comercial, a Origen pode comprar metade desse royalty por US$ 1,5 milhão.

Próximos passos e carteira da empresa

A campanha detalhada de amostragem só começa depois de liberações regulatórias, que a Origen não especifica. Segundo o CEO, Gary Schellenberg, os resultados da diligência superaram as expectativas, e o programa de campo deve começar logo após as aprovações.

Com Campo de Cima, a carteira da Origen no Nordeste passa de 68.615 hectares. A empresa também tem, na Argentina, o Los Sapitos, projeto de lítio sob seu controle integral, além de dois projetos de metais preciosos e básicos na Colúmbia Britânica, para os quais busca sócios.

O que ainda não se sabe

Os comunicados não dizem quais licenças e autorizações regulatórias faltam nem em que prazo devem sair. Também não informam os municípios exatos da área, o número dos processos minerários na ANM ou o prazo para assinar o acordo definitivo. Faltam ainda o teor médio das amostras e a profundidade da argila, a cotação e a bolsa em que as ações da Origen são negociadas, o valor total do negócio e a data do comunicado.

Fontes desta matéria

O que as fontes não cobrem: Quais licenças e autorizações regulatórias faltam e prazo Municípios exatos e número dos processos minerários na ANM Teor médio das amostras e profundidade da argila Prazo de assinatura do acordo definitivo Cotação e bolsa das ações da Origen e valor do negócio Data do comunicado da empresa

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