Samarco defende na Pré-COP 31 que não há transição energética sem mineração
Presidente da empresa, Rodrigo Vilela, falou em painel na CNI, em Brasília, e apresentou iniciativas de descarbonização. A mineradora não informa o percentual de redução de emissões já alcançado.

O presidente da Samarco, Rodrigo Vilela, defendeu o papel da mineração na transição energética durante painel da Pré-COP 31, realizado na sede da CNI, em Brasília, na quarta-feira, 7 de outubro de 2026. Segundo a empresa, ele também apresentou as iniciativas da mineradora para reduzir emissões.
A Pré-COP 31 antecede a COP 31, marcada para novembro, na Turquia. O painel tratou de segurança energética e de financiamento de transição justa. Além da Samarco, participaram Ibram, Vale, Schneider Electric e Carbon Measures.
Vilela afirmou que a mineração é essencial à transição global e defendeu mecanismos de financiamento para tecnologias de baixo carbono. Pela Samarco, resumiu a posição assim:
"Não existe transição energética sem a mineração", disse Rodrigo Vilela, presidente da Samarco.
O que a Samarco diz sobre suas emissões
De acordo com Vilela, nos fornos dos clientes a pelota da Samarco pode cortar até 80% das emissões, em relação a outros insumos. A empresa não detalhou, nas informações divulgadas, qual é a base dessa comparação.
O executivo também apontou vantagens do Brasil no tema: uma matriz elétrica renovável e um minério de alta qualidade.
A Samarco informou estar próxima de cumprir a meta intermediária de redução de emissões prevista para 2030. O percentual dessa meta e o patamar já atingido não foram divulgados.
Biomassa, energia renovável e fim das barragens
Entre as iniciativas listadas pela Samarco, bio-óleo e biomassa substituem parte dos combustíveis fósseis. Um coproduto do mármore passou a entrar no processo de pelotização.
Na eletricidade, a empresa afirma que 100% da energia consumida vem de fontes renováveis certificadas. A autogeração, que está em expansão, combina usinas hidrelétricas, estudos de energia solar em áreas descaracterizadas e uma associação com a Casa dos Ventos para geração eólica.
A mineradora diz ainda que não usa mais barragens para rejeitos, o que, segundo a companhia, favorece a recuperação de água. Para Vilela, o tema da circularidade conecta sustentabilidade e aceitação social da atividade:
"A circularidade está no centro da sustentabilidade e da nossa licença social para operar", afirmou Rodrigo Vilela, presidente da Samarco.
A posição do Ibram no painel
O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) foi representado por Pablo Cesário, diretor de Relações Institucionais e presidente interino da entidade. A gerente de Sustentabilidade, Claudia Salles, também participou do evento.
Segundo o Ibram, Cesário disse que o Brasil pode ir além do fornecimento de commodities, com industrialização, rastreabilidade e governança de minerais críticos. A entidade defende aproximar políticas climáticas, industriais e instrumentos financeiros, para ampliar o acesso a recursos de baixo carbono.
O instituto citou como caminhos de descarbonização do setor a eletrificação, as fontes renováveis, os biocombustíveis, a eficiência energética e a automação.
Brasília e a arrecadação de CFEM
O painel ocorreu em Brasília, e o painel de CFEM da ANM por município mostra a arrecadação da compensação financeira no Distrito Federal: R$ 17,0 milhões em 2021, R$ 18,6 milhões em 2022 e R$ 20,4 milhões em 2023. A série da agência vai até 2023 e não separa os valores por mina. O dado dimensiona a arrecadação na cidade que sediou o evento e não se refere à operação da Samarco.
A CFEM também está na pauta regulatória: a agência abriu consulta sobre acordos de adesão com municípios na fiscalização minerária e da Cfem.
O que ainda não se sabe
As informações divulgadas não trazem o percentual atual de redução de emissões da Samarco nem o número da meta para 2030. Também não há valores investidos nas iniciativas de descarbonização.
Não ficaram públicas as posições de Vale, Schneider Electric e Carbon Measures no painel. Vilela não detalhou quais mecanismos de financiamento defende. Seguem em aberto, além disso, a capacidade e o cronograma do projeto eólico em associação com a Casa dos Ventos. Falta ainda esclarecer qual é a base de comparação do corte de até 80% nas emissões.
Fontes desta matéria
- Samarco Mineração, 07/10/2026
- IBRAM - Mineração do Brasil, 07/10/2026
- ANM, painel de CFEM por município, 08/10/2026
- Título do painel. Descrever o painel sem aspas, como debate sobre segurança energética e financiamento de transição justa.
O que as fontes não cobrem: Percentual atual de redução de emissões da Samarco e meta de 2030 Valores investidos nas iniciativas de descarbonização Posição da Vale, Schneider Electric e Carbon Measures no painel Mecanismos de financiamento específicos propostos Capacidade e cronograma da parceria eólica com Casa dos Ventos Base de comparação do corte de 80% nas emissões


