Samarco vende 5% menos e produz 4% mais no terceiro trimestre, aponta relatório da BHP
Produção a 100% chegou a 4,302 milhões de toneladas, mas a distância para as vendas foi de 420 mil toneladas. BHP e Vale dividem o controle da mineradora, que opera abaixo da capacidade.

A Samarco produziu 4% mais e vendeu 5% menos no terceiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. Os números constam de um anexo do relatório trimestral de produção da BHP, divulgado em 20 de outubro, segundo o Moon BH.
A BHP e a Vale têm 50% cada na mineradora, e a BHP reporta metade dos volumes. A Samarco não comentou os dados no material analisado, e a empresa também não explicou a queda das vendas.
Samarco produz mais, mas despacha menos
A produção atribuível à BHP no trimestre foi de 2,151 milhões de toneladas. Dobrando o valor, a produção a 100% da Samarco ficou em cerca de 4,302 milhões de toneladas, contra 4,132 milhões de toneladas no terceiro trimestre do ano anterior.
Em relação ao segundo trimestre de 2026, quando a produção a 100% foi de 3,9 milhões de toneladas, a alta foi de cerca de 10%.
As vendas atribuíveis à BHP passaram de 2,042 milhões de toneladas para 1,941 milhão de toneladas. Pelo cálculo da Redação, isso equivale a 3,882 milhões de toneladas a 100%, contra 4,084 milhões de toneladas um ano antes. A variação confere com a queda de 5% informada, que na conta exata é de 4,9%.
Diferença de 420 mil toneladas
Na base de 100%, a produção superou as vendas do trimestre em 420 mil toneladas. No segundo trimestre, as vendas haviam subido 23% sobre o primeiro e quase igualaram a produção.
No acumulado de janeiro a setembro de 2026, a Samarco produziu cerca de 11,97 milhões de toneladas e vendeu 10,96 milhões de toneladas. A diferença, de 1,01 milhão de toneladas, passa de 1 milhão de toneladas.
Segundo o Moon BH, o descasamento pode vir de logística, disponibilidade de navios, mix de produtos ou formação de estoques. É uma leitura do veículo, e a causa só deve aparecer no balanço.
Meta de 2026 e plano de expansão
Para 2026, a BHP não alterou a projeção de produção da Samarco, de 14,7 milhões a 15,4 milhões de toneladas. Com 11,97 milhões de toneladas até setembro, a empresa precisaria produzir de 2,73 milhões a 3,43 milhões de toneladas no quarto trimestre para cumpri-la, segundo cálculo da Redação.
A mineradora opera com cerca de 60% da capacidade instalada. O plano prevê chegar a 100% em 2028, com 26 milhões de toneladas anuais, após um ciclo de investimento de R$ 13,8 bilhões. O pacote inclui reativar o Concentrador 1, em Germano, e duas usinas de pelotização em Ubu.
Contexto da BHP e o peso da CFEM
Segundo o Valor Econômico, a produção de minério de ferro da BHP no trimestre somou 66,5 milhões de toneladas, avanço de 4% sobre um ano antes. Esse 4% se refere ao total da BHP e não tem relação com o 4% da Samarco, que vem da comparação entre 4,302 milhões e 4,132 milhões de toneladas.
Ainda segundo o Valor, o preço realizado do minério da BHP caiu 9%, a US$ 76,27 por tonelada, e a empresa manteve as projeções anuais de produção e de custo unitário. A pressão de preços também aparece nas projeções para a Vale, que o Itaú BBA vê com Ebitda menor no terceiro trimestre.
Para dimensionar o peso da atividade nos municípios, a CFEM arrecadada em Mariana (MG) foi de R$ 398,3 milhões em 2021, R$ 299,0 milhões em 2022 e R$ 260,1 milhões em 2023, segundo o painel da ANM. Em Anchieta (ES), o painel registra R$ 1,0 mil em 2021, R$ 1,0 mil em 2022 e R$ 1,4 mil em 2023. A série da ANM vai até 2023 e não separa os valores por mina. Mariana também aparece entre os maiores repasses do mês, no levantamento sobre a CFEM de Minas em outubro.
O que ainda não se sabe
Não há explicação oficial da Samarco para a queda nas vendas nem posição da empresa ou da Vale sobre os dados. Também não se conhece o nível de estoques nos pátios, nem o impacto sobre o capital de giro.
O resultado financeiro do trimestre só sai em 9 de novembro, quando a Samarco publica as demonstrações contábeis e faz a teleconferência do 3T26. Ficam em aberto ainda o destino e o mix das vendas, entre pelotas e pellet feed.
O Moon BH menciona prejuízo acumulado acima de US$ 6 bilhões desde 2025, mas não detalha a base nem a metodologia, e o número não foi confirmado por outra fonte.
Fontes desta matéria
- Moon BH, 20/10/2026
- Valor Econômico, 20/10/2026
- ANM, painel de CFEM por município, 21/10/2026
- Alta de 4% na produção. Não são o mesmo dado; coincidência. Não misturar; Valor entra só como contexto da BHP.
- Prejuízo acumulado de US$ 6 bi. Dado frágil e sem fonte primária; fora do texto ou, se usado, atribuído ao Moon BH.
O que as fontes não cobrem: Explicação oficial da Samarco para a queda nas vendas Posição da Samarco ou da Vale sobre os dados Nível de estoques nos pátios e impacto no capital de giro Resultado financeiro do trimestre (sai em 9 de novembro) Base e metodologia do prejuízo acumulado de US$ 6 bilhões Destino e mix das vendas (pelotas versus pellet feed)


