Vale deve ter Ebitda 14% menor no terceiro trimestre, projeta Itaú BBA, com minério de ferro mais barato
Bancos veem mineradoras e siderúrgicas pressionadas por preço realizado menor e custos maiores; Gerdau e Aura aparecem entre as exceções nas projeções do Itaú BBA.

A Vale deve apresentar queda de resultado no balanço do terceiro trimestre de 2026, segundo projeções de bancos reunidas pelo InfoMoney e pela ISTOÉ DINHEIRO. Para a mineradora, o Itaú BBA calcula um Ebitda proforma de US$ 3,502 bilhões, 14% menor, excluindo os acordos de Brumadinho e Mariana.
O motivo central é o minério de ferro, que chegou ao menor patamar em dias, com demanda chinesa fraca e oferta maior. O preço realizado menor deve reduzir o Ebitda das mineradoras, enquanto os custos também pressionam o aço, segundo as duas publicações.
As empresas não comentaram as projeções, e a ficha de apuração não traz a posição delas.
Calendário de balanços começa com a Gerdau
A temporada abre com Gerdau e Metalúrgica Gerdau, em 26 de outubro. A Vale divulga três dias depois. A data exata da Vale e a da Usiminas não constam do material consultado.
A CSN Mineração publica em 10 de novembro, e a Aura Minerals, em 12 de novembro.
O movimento do minério já aparece nos pregões. A alta em Dalian após o PIB da China foi limitada pela demanda fraca, e o frete marítimo mais caro agrava o quadro das brasileiras.
Vale tem queda em ferrosos e em metais básicos
Nos ferrosos, o Itaú BBA vê Ebitda de US$ 2,66 bilhões, queda de 13%. O preço realizado deve ficar cerca de 7% menor, em US$ 88 por tonelada. Segundo o banco, o frete maior compensa a alta de 4% nos embarques.
Em metais básicos, a projeção é de Ebitda de US$ 1,04 bilhão, recuo de 19%. O banco cita a parada de Sossego, o níquel menor e a manutenção.
Para o Safra, a Vale está entre os destaques negativos da temporada. O JPMorgan espera custo C1 elevado e cobre cerca de 5% menor na base anual.
CSN Mineração tem a maior queda entre as projeções
Para a CSN Mineração, o Itaú BBA projeta Ebitda de R$ 469 milhões, 54% abaixo do trimestre anterior. A estimativa é de volume 16% menor, somando 9,9 milhões de toneladas.
O preço médio previsto é de US$ 38,9 por tonelada FOB, contra US$ 49,1 no segundo trimestre. O C1 sem terceiros sobe US$ 2, a US$ 26 por tonelada.
Na CSN consolidada, o Ebitda estimado é de R$ 1,922 bilhão, queda de 31%. A margem iria a 19,1%, ante 24,5%.
No aço, o resultado operacional projetado é de R$ 525 milhões, 17% menor. O custo por tonelada sobe 3%, acima da alta de 2% nas vendas internas. Na mineração, o Ebitda cai cerca de 50%. O JPMorgan atribui o recuo do aço da CSN à estratégia de volume sobre valor, com custos em alta.
Usiminas, Aura e Gerdau
Na Usiminas, o Itaú BBA projeta Ebitda de R$ 619 milhões, 10% a menos. O aço responde por R$ 608 milhões, 2% menos. O custo por tonelada, 3% maior, anula a alta de 2,5% nos embarques e a de 2% no preço doméstico.
Na mineração da Usiminas, o Ebitda cai a R$ 11 milhões, por causa do fechamento de parte da capacidade em setembro e de custos maiores.
A Aura Minerals vai na direção oposta. O Itaú BBA projeta Ebitda de US$ 213 milhões, alta de 9%, com produção 15% maior, de 89,1 mil GEOs, e custo caixa 4% menor, de US$ 1.450 por GEO. O JPMorgan cita confiança no guidance e evolução operacional melhor no quarto trimestre, mas aponta ouro realizado mais fraco.
A Gerdau tem Ebitda estimado em R$ 3,65 bilhões, alta de 6%. Na América do Norte, a margem projetada é de 27,8%, 2,1 pontos percentuais acima. A receita por tonelada em dólar sobe 4% e compensa embarques 4% menores, por causa da parada em Midlothian. No Brasil, o Itaú BBA vê estabilidade, com margem perto de 10,5%. O JPMorgan espera custos maiores e volumes fracos.
O que ainda não se sabe
As reportagens não informam o valor atual do minério de ferro nem a variação no período. Também não há projeção de consenso além de Itaú BBA, Safra e JPMorgan, e as estimativas numéricas do Safra e do JPMorgan aparecem para poucas empresas.
A data exata de divulgação de Vale e Usiminas segue em aberto, além do intervalo de três dias após a estreia da temporada. As empresas também não se posicionaram sobre as projeções.
Fontes desta matéria
- InfoMoney, 19/10/2026
- ISTOÉ DINHEIRO, 19/10/2026
O que as fontes não cobrem: Valor atual do minério de ferro e variação no período Projeção de consenso além de Itaú BBA, Safra e JPMorgan Estimativas numéricas do Safra e do JPMorgan para a maioria das empresas Data exata de divulgação de Vale e Usiminas, além de 'três dias depois' de 26 de outubro Posição das empresas sobre as projeções


