Estudo do IF Baiano detecta urânio em mangas de Caetité em níveis baixos, sem exposição significativa
Pesquisa com frutos da Província Uranífera de Lagoa Real, na Bahia, estimou exposição muito abaixo das referências internacionais. Material divulgado não traz resultados por ponto de coleta.

Um estudo do Instituto Federal Baiano (IF Baiano), campus de Guanambi, encontrou urânio em mangas colhidas na Província Uranífera de Lagoa Real, na Bahia, em concentrações muito baixas. Segundo o trabalho, a exposição estimada pelo consumo dos frutos não é significativa. O estudo foi divulgado pelas Indústrias Nucleares do Brasil (INB) em 23 de outubro de 2026, de acordo com o CPG Click Petróleo e Gás.
A Brasil Mineral também publicou o tema, mas não informa data de divulgação. Não há conflito de conteúdo entre os dois veículos.
Urânio em mangas: o que o estudo mediu
O trabalho analisou mangas de três grupos de coleta: áreas com anomalias uraníferas, o entorno da Unidade de Concentrado de Urânio (URA), da INB, em Caetité, e pontos de controle. Segundo a Brasil Mineral e o CPG Click, a análise usou a técnica ICP-MS, capaz de detectar concentrações na ordem de partes por bilhão.
A atividade medida nos frutos ficou entre 0,0088 e 0,0334 becquerel por quilograma. Já o teor de urânio, medido em massa, oscilou entre 0,0003 e 0,0013 miligrama para cada quilo da fruta.
Referências usadas na avaliação
Não existe limite específico para urânio em manga. Por isso, o estudo recorreu a referências internacionais de ingestão tolerável para estimar a exposição de quem consome os frutos.
Mesmo na maior concentração encontrada, a exposição estimada ficou muito abaixo dessas referências, segundo as duas publicações. A conclusão do trabalho é que não há exposição significativa.
O que diz o autor
O autor da pesquisa é Caio Vitor Santos Batista Lopes, estudante de Química. À Brasil Mineral, ele afirmou:
"Mesmo nos locais onde foram observadas as maiores concentrações, os valores permaneceram em níveis baixos e muito abaixo dos parâmetros utilizados para avaliação toxicológica", disse Caio Vitor Santos Batista Lopes, estudante de Química e autor do estudo, à Brasil Mineral.
Ainda de acordo com as publicações, a INB cedeu a estrutura laboratorial e a experiência em monitoramento ambiental. O aluno foi orientado por Hector Hugo, gerente da URA.
Raimundo Francisco dos Santos Filho, coordenador de Química do campus, destacou, segundo a Brasil Mineral, o valor da pesquisa para conhecer melhor a região.
Peso da mineração na região
A atividade mineral tem presença relevante em Caetité. Segundo o painel de CFEM da Agência Nacional de Mineração (ANM), a compensação financeira arrecadada no município foi de R$ 16,2 milhões em 2021, R$ 11,0 milhões em 2022 e R$ 5,3 milhões em 2023.
Em Guanambi, onde fica o campus do instituto, a arrecadação foi de R$ 186,0 mil em 2021, R$ 72,3 mil em 2022 e R$ 96,2 mil em 2023. A série da ANM vai até 2023 e não separa os valores por mina.
A Bahia aparece também em outro levantamento da agência, sobre empregos nas atividades de minerais críticos, publicado pelo site.
Limites do material divulgado
O material divulgado não traz tabela com os resultados por ponto de coleta. Segundo o CPG Click, sem esse detalhamento não é possível atribuir a presença do urânio às atividades da mina nem descartar algum impacto dela. As anomalias uraníferas são, por definição, áreas com ocorrência natural do elemento, o que também depende da distribuição dos dados por grupo.
O que ainda não se sabe
As publicações não informam os resultados separados por grupo de área, isto é, anomalia, entorno da URA e controle. Tampouco indicam o número de amostras e os locais exatos de coleta, o que impede avaliar a representatividade do trabalho.
Os valores das referências de ingestão tolerável usadas na comparação também não foram divulgados, o que impede conferir a margem entre a exposição estimada e o limite adotado. Não há informação sobre se o estudo foi revisado por pares ou publicado em periódico científico.
Por fim, falta uma comparação entre as mangas do entorno da URA e as do grupo de controle, que permitiria avaliar se há diferença associada à proximidade da unidade.
Fontes desta matéria
- CPG Click Petróleo e Gás, 27/10/2026
- Brasil Mineral, 26/10/2026
- ANM, painel de CFEM por município, 27/10/2026
- Data/origem da divulgação. Usar 23 de outubro de 2026 atribuído à CPG Click; sem conflito de conteúdo.
O que as fontes não cobrem: Resultados por grupo de área (anomalia, entorno da URA, controle) Número de amostras e locais de coleta Valores das referências de ingestão tolerável usadas Se o estudo foi revisado por pares ou publicado em periódico Comparação entre mangas do entorno da URA e do grupo de controle


