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Diamante Energia testa biocarvão de casca de coco na Usina de Pecém, no Ceará

Mistura com carvão mineral foi queimada na caldeira da UG1 em 14 de outubro; biocarvão representou 1% do combustível. Resultados do teste ainda não foram divulgados.

Por Redação MineraçãoLeitura de 3 min
Vista distante de usina termelétrica com torres de resfriamento em uma paisagem aberta
Imagem ilustrativa. Foto: Tanhauser Vázquez R. / Pexels

Na Usina de Pecém, no Ceará, a Diamante Energia fez o primeiro ensaio em escala industrial com biocarvão feito de casca de coco, no dia 14 de outubro. De acordo com o MegaWhat e o Diário do Nordeste, a caldeira da UG1, de 360 MW, recebeu o biocarvão em mistura com carvão mineral.

Trata-se de um projeto de pesquisa e desenvolvimento regulado pela Aneel, conduzido junto à Uece, a Universidade Estadual do Ceará.

Como foi o teste na Usina de Pecém

Pelas informações do MegaWhat e do Diário do Nordeste, a operação consumiu cerca de 150 toneladas de combustível. A mistura combinou 148,5 toneladas de carvão mineral com 1,5 tonelada de biocarvão. A conta fecha em 1% de biocarvão na mistura, em massa.

A proporção é pequena, o que indica um ensaio de verificação do comportamento do material em escala industrial, e não uma substituição relevante do carvão. A empresa não informou, nas publicações, se pretende ampliar o percentual.

Na queima, a equipe levantou informações sobre moagem, alimentação da caldeira, estabilidade da combustão, cinzas e emissões. Esses registros é que vão embasar a avaliação do desempenho do biocarvão.

Projeto com a Uece começou em 2024

O projeto de PDI da Aneel com a Uece teve início em 2024 e conta com investimento de R$ 2,7 milhões. Segundo o MegaWhat, é o primeiro PDI da Aneel conduzido pela universidade e resultou em uma planta piloto de biomassa residual, apontada como pioneira entre as instituições públicas do estado.

Desde o começo da iniciativa, foram processadas cerca de 13.200 cascas de coco, o equivalente a aproximadamente 20 toneladas de biomassa. De acordo com o MegaWhat, o que já saiu da planta inclui pellets, bio-óleo (2.380 litros) e biocarvão, em volume próximo ao usado no teste.

A matéria-prima tem relação com a economia local. O Ceará é grande produtor de coco, e a destinação da casca é um problema tanto ambiental quanto de custo, de acordo com as duas publicações.

O que o laboratório mostrou

O Diário do Nordeste relata que, em análises de laboratório, o biocarvão apresentou poder calorífico superior ao do carvão usado na usina. O teor de enxofre também foi mais de dez vezes menor.

Esses números vêm de ensaios em bancada e não substituem a medição em operação. É justamente essa lacuna que o teste industrial pretende preencher.

A coordenadora do projeto na Uece, a professora Mona Lisa Moura de Oliveira, comentou a etapa ao Diário do Nordeste: "agora, em ambiente industrial, poderá ser avaliado de forma prática o desempenho do biocarvão".

Próximos passos

Segundo as duas fontes, os próximos passos são analisar os dados operacionais, fazer ajustes e definir a continuidade dos estudos. A empresa afirmou ao Diário do Nordeste que a viabilidade econômica e os ganhos ambientais dependem de avaliações complementares.

Ou seja, a Diamante Energia não confirma, por ora, que o biocarvão seja competitivo nem que reduza emissões na operação da usina. O que existe até agora é a realização do teste e os dados de laboratório.

O que ainda não se sabe

Os resultados do teste, como o comportamento da combustão, as cinzas e as emissões, não foram divulgados. Também não há informação sobre o custo do biocarvão em comparação com o do carvão mineral, nem sobre meta de escala ou percentual futuro de mistura.

Outro ponto em aberto é a origem e o volume de casca de coco que poderiam abastecer um uso industrial contínuo. As publicações tampouco detalham o município exato da usina nem a potência total do complexo, além dos 360 MW da UG1.

Fontes desta matéria

O que as fontes não cobrem: Resultados do teste (combustão, cinzas, emissões) Custo do biocarvão frente ao carvão mineral Meta de escala ou percentual futuro de mistura Origem e volume de casca de coco para uso industrial Município exato da usina e potência total do complexo

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