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Energia na mineração

Mineração Rio do Norte recebe 4 reatores da China para linha de 98 km no Pará

Equipamentos vão para a Subestação Saracá, em Porto Trombetas. Empresa prevê operação no primeiro trimestre de 2027 e quer cortar cerca de 90% das emissões da geração de energia.

Por Redação MineraçãoLeitura de 3 min
Torres de transmissão de aço contra o céu azul, com cabos de energia elétrica
Imagem ilustrativa. Foto: yao / Pexels

Quatro reatores shunt fabricados na China chegaram à Mineração Rio do Norte (MRN) e vão para a Subestação Saracá, em Porto Trombetas (PA). Os equipamentos fazem parte da linha de transmissão que vai conectar a mina ao Sistema Interligado Nacional (SIN), segundo o CPG Click Petróleo e Gás e o Cidades e Minerais, ambos publicados em outubro.

Os reatores controlam a tensão e dão estabilidade ao sistema em linhas longas de alta tensão. Nenhuma das duas publicações informa quem fornece os equipamentos nem a data exata da chegada.

A linha de 230 kV em Oriximiná

A linha tem 98 km, opera em 230 kV e conta com 232 torres, o que dá cerca de 2,4 torres por km. Ela corta o município de Oriximiná e liga as subestações Oriximiná e Saracá, esta última em Porto Trombetas, de acordo com o CPG Click Petróleo e Gás.

Na subestação Saracá, serão instalados 11 módulos GIS: cinco na classe de 230 kV e seis na de 69 kV. Na travessia do rio Trombetas, as torres TO-28/1 e TO-30/1 medem 178 metros cada. Pelas informações do projeto, citadas pelo CPG, são as maiores em cantoneira sobre água no Brasil.

O despacho que liberou o acesso da MRN à Rede Básica, expedido pela Aneel, foi publicado em 2024. Equipes da empresa acompanham a fabricação dos reatores desde outubro de 2025 e visitaram fábricas em Tianjin e Xangai.

Mineração Rio do Norte e a meta de emissões

A empresa diz que a conexão ao SIN deve reduzir em cerca de 90% as emissões da geração de energia. O número não se aplica ao total das emissões da MRN, só à parte ligada à eletricidade.

Hoje, parte da energia vem de termelétricas próprias a óleo combustível, que a rede nacional substituiria. No Relatório de Sustentabilidade 2024, a MRN estima que a troca evitaria, ao longo de 15 anos, a emissão de aproximadamente 2,1 milhões de t de CO₂e.

Andamento da obra e prazo

A MRN prevê iniciar a operação da linha no primeiro trimestre de 2027. Segundo a empresa, o avanço físico chegou a 63%, e cinco torres da travessia do rio Trombetas já estão prontas. O percentual aparece só no CPG Click Petróleo e Gás; o Cidades e Minerais não traz dado de avanço.

A mineradora afirma dialogar com 19 comunidades da área de influência direta e monitorar fauna, flora e rios.

Peso da mineradora na região

A MRN é a maior produtora de bauxita do país, segundo o Cidades e Minerais. Pelos dados do CPG, foram 12,8 milhões de toneladas produzidas em 2025, com mais de 7,5 mil empregados. A empresa também tem o Projeto Novas Minas, de cerca de R$ 5 bilhões em cinco anos, com cinco platôs em Oriximiná, Terra Santa e Faro.

Os dados de CFEM da ANM ajudam a dimensionar o peso da atividade nos municípios. Em Oriximiná, a arrecadação foi de R$ 39,9 milhões em 2021, R$ 22,9 milhões em 2022 e R$ 17,6 milhões em 2023. Em Terra Santa, foram R$ 9,2 milhões, R$ 39,9 milhões e R$ 36,4 milhões nos mesmos anos. Faro registrou R$ 0,0 mil nos três anos.

A série da ANM vai até 2023 e não separa os valores por mina, então não é possível atribuir à MRN cada cifra. Para outras ferramentas de consulta, a agência lançou o guia Mapa da Mina, com sistemas e painéis de dados do setor mineral.

O que ainda não se sabe

As publicações não informam o valor do investimento na linha de transmissão, nem quem fornece os reatores e quando exatamente eles chegaram. Também não está claro qual empresa fornecerá a energia nem qual será o custo da tarifa depois da conexão ao SIN.

Ficam em aberto ainda o destino das termelétricas a óleo após a conexão, as licenças ambientais da linha e a posição das comunidades sobre o empreendimento.

Fontes desta matéria

Onde as fontes divergem
  • Avanço da obra e data do anúncio de progresso. Usar 63% só com atribuição à MRN, sem data exata; só uma fonte traz o dado.

O que as fontes não cobrem: Valor do investimento na linha de transmissão Quem fornece os reatores e a data exata da chegada Fornecedora de energia e custo da tarifa após conexão ao SIN Destino das termelétricas a óleo após a conexão Licenças ambientais da linha e posição das comunidades

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