Minerais críticos entram na agenda externa do novo mandato de Lula, sob pressão de tarifas dos EUA
Reeleito em 25 de outubro de 2026, o presidente enfrenta sobretaxas de até 37,5% e a disputa por processamento local de terras raras, com lei sancionada em setembro ainda dependente de regulamentação.

Os minerais críticos e as terras raras figuram entre os principais temas da política externa do novo mandato do presidente Lula, reeleito em 25 de outubro de 2026. A avaliação consta de reportagens da CNN Brasil, do Portal VV8 e do boca.com.br, que listam os desafios do governo no exterior.
O pano de fundo é a relação com os Estados Unidos. De acordo com os três veículos, Brasília tenta preservar a proximidade com BRICS e Sul Global enquanto o governo de Donald Trump aperta o país no comércio e na geopolítica.
Sobretaxas e o peso dos EUA
Desde julho, parte das exportações brasileiras enfrenta sobretaxas americanas de até 37,5%, de acordo com as reportagens. Doutor em Ciência Política pela UFRGS, Diego Pautasso avalia, segundo CNN Brasil e boca.com.br, que a atitude dos EUA é o principal desafio externo do país.
As reportagens não detalham o estágio atual das negociações tarifárias. Também não informam como a posição do governo americano sobre os minerais críticos brasileiros se encaixa nessa conversa.
Minerais críticos: reservas expressivas, etapas de maior valor no exterior
Segundo CNN Brasil e Portal VV8, o Brasil tem reservas expressivas de minerais críticos e de terras raras, usados em veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de defesa. O país, porém, tem capacidade limitada de separação, refino e fabricação de componentes, as etapas que concentram maior valor.
O peso do segmento no país já aparece em dados do setor. O portal da ANM contabilizou o emprego em atividades ligadas a minerais críticos, e a pesquisa em regiões como o Cinturão do Ribeira, no Paraná, mostra que a presença do mineral, por si só, não garante viabilidade econômica.
Para CNN Brasil e boca.com.br, ter reservas não assegura protagonismo. Faltam infraestrutura, tecnologia e segurança jurídica para atrair o processamento ao território nacional.
A política nacional e a agregação de valor
Em setembro, foi sancionada a PNMCE, que incentiva o processamento local e cria o CIMCE. Segundo CNN Brasil e Portal VV8, a lei admite compromissos de agregação de valor nas exportações, mas isso depende de regulamentação específica.
Rinaldo Mancin, consultor e ex-diretor do Ibram, disse à CNN Brasil que o desafio é transformar o potencial em interesse externo por projetos com investimento, tecnologia e resultados mensuráveis. Sobre a pressão americana contra a China, ele afirmou:
"A pressão a resistir seria a de aderir a arranjos que assegurem o fornecimento de recursos brasileiros, mas deixem as etapas tecnológicas e industriais mais valiosas no exterior"
A fala é de Mancin, à CNN Brasil, e indica o risco de o país ficar restrito ao papel de fornecedor de matéria-prima.
Integração regional e acordo com a União Europeia
Outro ponto é a vizinhança. CNN Brasil e Portal VV8 lembram que a integração sul-americana travou pela fragmentação política, e que a Cúpula de Brasília, no início do mandato anterior, não avançou. Washington criou em março o Escudo das Américas, coalizão que mira o crime organizado e o peso de potências externas na região.
No comércio, o acordo Mercosul-União Europeia está em aplicação provisória desde maio de 2026. Segundo as reportagens, ele exige adaptação setorial, o que inclui a indústria e a mineração.
O que ainda não se sabe
As reportagens não informam o prazo nem o conteúdo da regulamentação da PNMCE, ponto que define como os compromissos de agregação de valor funcionariam na prática. Também não esclarecem o status atual das negociações tarifárias com os EUA, nem quais projetos e empresas de terras raras seriam afetados. Por fim, a posição do governo americano sobre os minerais críticos brasileiros não aparece nas reportagens.
Fontes desta matéria
- CNN Brasil, 26/10/2026
- Portal VV8, 26/10/2026
- boca.com.br, 26/10/2026
O que as fontes não cobrem: Prazo e conteúdo da regulamentação da PNMCE Status atual das negociações tarifárias com os EUA Projetos e empresas de terras raras que seriam afetados Posição do governo americano sobre minerais críticos brasileiros


