Mineração O Brasil mineral em pauta.
Ouro

Kinross vê ciclo positivo do ouro e estuda manter a mina de Paracatu (MG) em operação além de 2034

Em entrevista à Bloomberg Línea, o CEO da empresa no Brasil diz que estudos buscam ampliar a vida útil da operação mineira, mas a Kinross não informa investimento nem prazo.

Por Redação MineraçãoLeitura de 3 min
Caminhão fora de estrada de grande porte em área de operação industrial durante o dia
Imagem ilustrativa. Foto: David McElwee / Pexels

A Kinross estuda prolongar a operação da mina de Paracatu, em Minas Gerais, para além de 2034, data hoje prevista para o fim da vida útil. A informação é de Rodrigo Gomides, CEO da empresa no Brasil, em entrevista à Bloomberg Línea Brasil, publicada também pelo Cidades e Minerais. Segundo ele, o preço do ouro sustenta um momento favorável para o setor.

"Enxergo que este é um ciclo positivo", disse Gomides, segundo a Bloomberg Línea.

A Kinross não informou, na entrevista, quanto pretende investir para estender a mina nem quando os estudos terminam.

Paracatu e o peso da Kinross no ouro brasileiro

A Kinross atua em Paracatu desde 1987. Gomides afirma que a empresa responde por cerca de 25% da produção legal de ouro do país e que é a 12ª maior arrecadadora de CFEM, a compensação financeira paga pela exploração mineral.

O CEO estima que de cinco a dez empresas médias e grandes liderem a produção nacional de ouro, em um mercado concentrado.

Em 2025, segundo a empresa, a produção foi de 601 mil onças equivalentes. A estimativa da companhia para 2026 vai de 587 mil a 600 mil onças equivalentes. A onça equivale a cerca de 31,1 gramas. A Kinross não esclareceu se esses volumes se referem só ao Brasil ou ao grupo, e a Redação Mineração não atribui o número a nenhum dos dois escopos.

A produção isolada de Paracatu também não foi divulgada.

Recursos, teor baixo e tecnologia

Conforme a empresa, os recursos provados do projeto somam 4,8 milhões de onças, e os recursos futuros e potenciais chegam a 3,5 milhões de onças. É essa base que alimenta os estudos de extensão.

O desafio é o teor. Paracatu tem um dos menores do mundo, de cerca de 0,4 grama de ouro por tonelada movimentada. Para lidar com isso, a Kinross investiu mais de US$ 30 milhões em gravimetria industrial, técnica que usa força centrífuga na recuperação do metal.

A mina também usa perfuratrizes autônomas, operadas de uma sala de controle, o que tira o operador de áreas de risco.

Para Gomides, a evolução do processamento muda a conta dos recursos. "Com a evolução das tecnologias de processamento, conseguimos viabilizar recursos que antes não eram viáveis economicamente", afirmou.

O executivo lembrou ainda que, em média, a trajetória da exploração à produção de uma mina leva 15 anos. Também apontou a falta de mapeamento geológico no Brasil como entrave, e disse que o Ibram trabalha com o governo para acelerar investimentos.

O que sustenta o preço do ouro

A entrevista cita dados de mercado. De acordo com a Bloomberg News, a cotação do metal ronda US$ 4.400 a onça desde agosto.

O World Gold Council aponta que os bancos centrais compram cerca de 1.000 toneladas por ano desde 2022, contra média histórica de 600 toneladas. A Índia, segundo maior mercado, tem demanda líquida de cerca de 800 toneladas por ano e elevou a tarifa de importação para preservar reservas.

Mesmo assim, Gomides pede prudência. "Temos cautela para não trabalhar com projeções muito à frente, porque nosso mercado é bastante volátil." Ele diz que o foco está em qualidade operacional e eficiência.

A Kinross Gold, sediada em Toronto, também opera nos EUA, no Chile e na Mauritânia e está entre as dez maiores do mundo no setor.

Paracatu na arrecadação de CFEM

Para dimensionar o peso da mineração no município, os dados da ANM mostram que Paracatu arrecadou R$ 84,2 milhões de CFEM em 2021, R$ 81,3 milhões em 2022 e R$ 93,2 milhões em 2023. A série da agência vai só até 2023 e não separa os valores por mina, de modo que o total não equivale ao pago pela Kinross.

O movimento do ouro no país aparece também em outros negócios recentes, como a compra da operadora de frota de três minas de ouro pela Aura Minerals, e na repressão ao garimpo ilegal, caso da prisão de seis pessoas em Tucumã (PA).

O que ainda não se sabe

A Kinross não informou o investimento previsto para estender a vida útil de Paracatu nem o prazo de conclusão dos estudos. Também não divulgou o custo de produção por onça, a produção da mina de Paracatu isolada e o valor de CFEM pago pela empresa.

Fontes desta matéria

Onde as fontes divergem
  • Produção de 601 mil onças: Brasil ou grupo. Escopo não esclarecido; texto deve atribuir ao CEO/empresa sem dizer se é só Brasil ou grupo.

O que as fontes não cobrem: Investimento previsto para estender a vida útil de Paracatu Prazo de conclusão dos estudos de extensão Custo de produção por onça Produção da mina de Paracatu isolada Valor de CFEM pago pela Kinross

Viu um erro nesta matéria? Avise a redação

Leia também