Kinross vê ciclo positivo do ouro e estuda manter a mina de Paracatu (MG) em operação além de 2034
Em entrevista à Bloomberg Línea, o CEO da empresa no Brasil diz que estudos buscam ampliar a vida útil da operação mineira, mas a Kinross não informa investimento nem prazo.

A Kinross estuda prolongar a operação da mina de Paracatu, em Minas Gerais, para além de 2034, data hoje prevista para o fim da vida útil. A informação é de Rodrigo Gomides, CEO da empresa no Brasil, em entrevista à Bloomberg Línea Brasil, publicada também pelo Cidades e Minerais. Segundo ele, o preço do ouro sustenta um momento favorável para o setor.
"Enxergo que este é um ciclo positivo", disse Gomides, segundo a Bloomberg Línea.
A Kinross não informou, na entrevista, quanto pretende investir para estender a mina nem quando os estudos terminam.
Paracatu e o peso da Kinross no ouro brasileiro
A Kinross atua em Paracatu desde 1987. Gomides afirma que a empresa responde por cerca de 25% da produção legal de ouro do país e que é a 12ª maior arrecadadora de CFEM, a compensação financeira paga pela exploração mineral.
O CEO estima que de cinco a dez empresas médias e grandes liderem a produção nacional de ouro, em um mercado concentrado.
Em 2025, segundo a empresa, a produção foi de 601 mil onças equivalentes. A estimativa da companhia para 2026 vai de 587 mil a 600 mil onças equivalentes. A onça equivale a cerca de 31,1 gramas. A Kinross não esclareceu se esses volumes se referem só ao Brasil ou ao grupo, e a Redação Mineração não atribui o número a nenhum dos dois escopos.
A produção isolada de Paracatu também não foi divulgada.
Recursos, teor baixo e tecnologia
Conforme a empresa, os recursos provados do projeto somam 4,8 milhões de onças, e os recursos futuros e potenciais chegam a 3,5 milhões de onças. É essa base que alimenta os estudos de extensão.
O desafio é o teor. Paracatu tem um dos menores do mundo, de cerca de 0,4 grama de ouro por tonelada movimentada. Para lidar com isso, a Kinross investiu mais de US$ 30 milhões em gravimetria industrial, técnica que usa força centrífuga na recuperação do metal.
A mina também usa perfuratrizes autônomas, operadas de uma sala de controle, o que tira o operador de áreas de risco.
Para Gomides, a evolução do processamento muda a conta dos recursos. "Com a evolução das tecnologias de processamento, conseguimos viabilizar recursos que antes não eram viáveis economicamente", afirmou.
O executivo lembrou ainda que, em média, a trajetória da exploração à produção de uma mina leva 15 anos. Também apontou a falta de mapeamento geológico no Brasil como entrave, e disse que o Ibram trabalha com o governo para acelerar investimentos.
O que sustenta o preço do ouro
A entrevista cita dados de mercado. De acordo com a Bloomberg News, a cotação do metal ronda US$ 4.400 a onça desde agosto.
O World Gold Council aponta que os bancos centrais compram cerca de 1.000 toneladas por ano desde 2022, contra média histórica de 600 toneladas. A Índia, segundo maior mercado, tem demanda líquida de cerca de 800 toneladas por ano e elevou a tarifa de importação para preservar reservas.
Mesmo assim, Gomides pede prudência. "Temos cautela para não trabalhar com projeções muito à frente, porque nosso mercado é bastante volátil." Ele diz que o foco está em qualidade operacional e eficiência.
A Kinross Gold, sediada em Toronto, também opera nos EUA, no Chile e na Mauritânia e está entre as dez maiores do mundo no setor.
Paracatu na arrecadação de CFEM
Para dimensionar o peso da mineração no município, os dados da ANM mostram que Paracatu arrecadou R$ 84,2 milhões de CFEM em 2021, R$ 81,3 milhões em 2022 e R$ 93,2 milhões em 2023. A série da agência vai só até 2023 e não separa os valores por mina, de modo que o total não equivale ao pago pela Kinross.
O movimento do ouro no país aparece também em outros negócios recentes, como a compra da operadora de frota de três minas de ouro pela Aura Minerals, e na repressão ao garimpo ilegal, caso da prisão de seis pessoas em Tucumã (PA).
O que ainda não se sabe
A Kinross não informou o investimento previsto para estender a vida útil de Paracatu nem o prazo de conclusão dos estudos. Também não divulgou o custo de produção por onça, a produção da mina de Paracatu isolada e o valor de CFEM pago pela empresa.
Fontes desta matéria
- Cidades e Minerais, 08/10/2026
- Bloomberg Línea Brasil, 07/10/2026
- ANM, painel de CFEM por município, 08/10/2026
- Produção de 601 mil onças: Brasil ou grupo. Escopo não esclarecido; texto deve atribuir ao CEO/empresa sem dizer se é só Brasil ou grupo.
O que as fontes não cobrem: Investimento previsto para estender a vida útil de Paracatu Prazo de conclusão dos estudos de extensão Custo de produção por onça Produção da mina de Paracatu isolada Valor de CFEM pago pela Kinross


