Minério de ferro cai em Dalian e Cingapura após CMRG fechar acordo com a Rio Tinto, sem termos divulgados
Contrato de janeiro recua a 669 iuanes por tonelada em Dalian, e a referência de novembro cai a US$ 89,85 em Cingapura. Volume e preço do acordo não foram informados.

O minério de ferro recuou em Dalian, na China, e em Cingapura nesta quinta-feira, 22 de outubro, depois que a CMRG, central de compras das siderúrgicas chinesas, fechou acordo com a Rio Tinto. Os termos do contrato não foram divulgados, segundo o Valor Econômico e a ISTOÉ DINHEIRO.
Na bolsa de Dalian, o contrato de janeiro, o mais negociado, terminou a 669 iuanes por tonelada. Já a referência de novembro em Cingapura recuou para US$ 89,85 a tonelada, de acordo com a ISTOÉ DINHEIRO. As reportagens não informam o percentual da queda em nenhum dos dois mercados.
O que se sabe sobre o acordo com a Rio Tinto
Segundo fontes da Reuters, a CMRG avisou verbalmente algumas siderúrgicas sobre o fechamento do acordo na quarta-feira, 21 de outubro. Ainda de acordo com essas fontes, a entidade começa nesta quinta-feira a levantar os volumes que cada usina precisa comprar.
Nem a CMRG nem a Rio Tinto comentaram o assunto de imediato, conforme o Valor Econômico e a ISTOÉ DINHEIRO. Não há, portanto, confirmação oficial de nenhuma das duas partes.
O entendimento encerra um impasse. Em agosto, a CMRG orientou as siderúrgicas a suspender a negociação com a Rio Tinto para embarques de setembro em diante, segundo as duas publicações.
Central criada para ampliar o poder de barganha
A CMRG foi criada por Pequim em 2022 para concentrar as compras de minério de ferro e dar mais força de negociação aos compradores chineses, conforme o Valor Econômico. O acordo com a Rio Tinto, nesse contexto, indica como a entidade conduz as conversas com os fornecedores.
O Valor Econômico lembra que as siderúrgicas chinesas lidam com margens reduzidas e demanda interna fraca. A ISTOÉ DINHEIRO, citando a consultoria Mysteel, informa que as perdas das usinas de Tangshan ficaram quase inalteradas na semana, sem melhora relevante nas margens.
Oferta abundante pesa sobre os preços
Em setembro, o Escritório Nacional de Estatísticas registrou queda de 23,9% na produção chinesa de minério bruto na comparação anual, informou a ISTOÉ DINHEIRO.
Mesmo assim, a Everbright Futures avalia que a oferta global segue abundante. Na leitura da corretora, as minas no exterior operam de forma estável, os embarques estão fortes e os estoques nos portos permanecem elevados.
O movimento de preços já vinha em ritmo contido. Na segunda-feira, o contrato de janeiro em Dalian havia subido, como o site mostrou na cobertura do minério de ferro em Dalian após o PIB chinês, com a demanda fraca limitando os ganhos.
Fortescue segue sem acordo
A Fortescue, outra grande fornecedora, ainda não fechou sua negociação com a CMRG. Segundo a ISTOÉ DINHEIRO, a empresa avisou que suas operações podem ser afetadas se o acerto não sair até o fim do ano.
A mineradora também registrou queda de embarques no primeiro trimestre informado e citou manutenções e paradas portuárias como motivos, conforme a mesma publicação.
A pressão sobre os preços do minério também aparece nas projeções para as mineradoras brasileiras. O site noticiou que o Itaú BBA projeta Ebitda menor para a Vale no terceiro trimestre, com minério de ferro mais barato.
O que ainda não se sabe
As reportagens não informam o volume nem o preço do contrato entre a Rio Tinto e a CMRG, e tampouco a vigência do acordo. Também não há o percentual da queda em Dalian e em Cingapura, nem confirmação oficial da Rio Tinto ou da CMRG. Ficam em aberto, ainda, a posição da Vale e o impacto do acordo sobre o minério de ferro brasileiro.
Redação Mineração
Fontes desta matéria
- Valor Econômico, 21/10/2026
- ISTOÉ DINHEIRO, 22/10/2026
O que as fontes não cobrem: Volume e preço do contrato Rio Tinto-CMRG Percentual da queda em Dalian e Cingapura Vigência do acordo Confirmação oficial de Rio Tinto ou CMRG Posição da Vale e impacto sobre o minério brasileiro


