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Terras raras

SGB aponta terras raras acima de 8 mil ppm no Cinturão do Ribeira, e duas australianas sondam a área no Paraná

Teores aparecem em amostras de cinco municípios paranaenses, mas a presença do mineral não garante viabilidade econômica. Core Energy Minerals e Union Star Metals, via Harvest, têm projetos na região.

Por Redação MineraçãoLeitura de 4 min
Pedreira com maquinário pesado trabalhando na escavação de rocha
Imagem ilustrativa. Foto: LekePOV / Pexels

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) encontrou teores de terras raras superiores a 8 mil ppm em amostras do Cinturão do Ribeira, no Paraná, segundo a Tribuna do Paraná e a Acia Araçatuba. A concentração equivale a 8 gramas por quilo. Duas empresas australianas fazem sondagem inicial e reconhecimento na região, de acordo com informação da Agência Nacional de Mineração (ANM) repassada à Tribuna.

Segundo a Tribuna, o material analisado foi coletado em cinco municípios: Tijucas do Sul, Castro, Carambeí, Cerro Azul e Tunas do Paraná. A Acia Araçatuba trata o achado como "descoberta" e diz não ter detalhado a localização exata. A Redação Mineração adota a versão da Tribuna, que associa os teores a amostras e aos municípios listados.

O neodímio e o térbio estão entre os elementos identificados, e ambos integram o grupo de 17 elementos de terras raras. Eles entram na fabricação de ímãs, motores e turbinas.

Amostras não significam reserva

A Tribuna destaca que encontrar terras raras em amostras não implica viabilidade econômica. Para isso, faltam sondagem, testes metalúrgicos, estudos ambientais e estudos de viabilidade. Os textos consultados não informam volume de recursos estimado.

Também não há indicação de onde ficam, exatamente, os pontos com mais de 8 mil ppm, nem os teores de neodímio e térbio separadamente.

As empresas que atuam no Cinturão do Ribeira

A Union Star Metals, por meio da Scanty Mineração, tem os projetos Cerro Azul e Granito Carambeí, este em Carambeí e Ponta Grossa. A empresa fez perfurações de solo, segundo a Tribuna. No mês passado, a Union Star vendeu 100% da Scanty à Harvest Minerals Limited, com foco em argilas iônicas. O valor da operação não foi divulgado.

A Core Energy Minerals atua por meio da Mineração Remo. Seu projeto Tunas fica em Cerro Azul e Tunas do Paraná, tem área de 18,32 km² e também mira argilas iônicas. A Tribuna e a Acia Araçatuba citam a Core; a Acia não menciona a Union Star.

A Core executou duas fases de furos de até 15 metros, além de mapeamento e amostragem de superfície. Testes com amostras profundas mostraram recuperação média de 38% dos óxidos totais e de 63% dos óxidos magnéticos, segundo a Tribuna.

A próxima etapa será verificar a continuidade da mineralização em profundidade e em outras partes da área. A Core tem ainda outro projeto em Campo Largo, município da Grande Curitiba, em fase inicial, que reúne mapeamento regional e coleta de amostras de rocha.

O peso da mineração nos municípios

Os dados da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) ajudam a dimensionar a atividade mineral atual nesses municípios. A série da ANM vai até 2023 e não separa a arrecadação por mina.

Cerro Azul arrecadou R$ 844,2 mil em 2021, R$ 910,8 mil em 2022 e R$ 998,4 mil em 2023. Em Tunas do Paraná, os valores foram de R$ 0,8 mil, R$ 0,3 mil e R$ 1,0 mil nos mesmos anos. Castro somou R$ 548,9 mil, R$ 682,5 mil e R$ 594,8 mil.

Carambeí registrou R$ 170,1 mil, R$ 101,4 mil e R$ 153,9 mil. Tijucas do Sul subiu de R$ 17,5 mil para R$ 41,6 mil e R$ 106,0 mil. Ponta Grossa, que também abriga o Granito Carambeí, arrecadou R$ 681,3 mil, R$ 709,3 mil e R$ 884,2 mil. Campo Largo ficou em R$ 3,5 milhões em 2021 e 2022 e em R$ 3,6 milhões em 2023.

Processamento pode pesar mais que a extração

Para Abdel Hach, engenheiro geólogo e professor do UniCuritiba, o maior potencial do Paraná está no processamento, no refino e na industrialização, e não apenas na extração. Segundo ele, se os recursos forem confirmados, a estrutura logística, os parques industriais e as universidades paranaenses seriam pontos favoráveis para formar uma cadeia produtiva.

Hach também comentou o mercado global. "A líder mundial no processamento de terras raras é a China, mas existe um movimento global para a diversificação de fornecedores", disse o professor do UniCuritiba à Tribuna do Paraná.

O interesse por terras raras avança em outros estados. A Redação Mineração noticiou a pesquisa no projeto Monte Alto, na Bahia, e o Projeto Saramém, em Sergipe, que também envolve terras raras.

O que ainda não se sabe

Os textos consultados não informam o volume ou a tonelagem de recursos estimados, nem o investimento das empresas australianas. Também não há prazo para os estudos e as próximas sondagens, e a localização exata dos pontos com mais de 8 mil ppm segue em aberto.

Faltam ainda os teores de neodímio e térbio separadamente, os valores da venda da Scanty à Harvest e informações sobre a situação do licenciamento ambiental.

Fontes desta matéria

Onde as fontes divergem
  • Localização e alcance dos teores acima de 8 mil ppm. Usar a versão da Tribuna: amostras no Cinturão do Ribeira, com municípios listados. Não afirmar que há descoberta de reserva nem localização só 'em áreas do Paraná'.
  • Quais são as duas empresas australianas. Citar só a Core Energy Minerals e a Union Star Metals/Harvest, conforme a Tribuna; a Acia omite a Union Star.

O que as fontes não cobrem: Volume ou tonelagem de recursos estimados Investimento das empresas australianas Prazo dos estudos e das próximas sondagens Localização exata dos pontos com mais de 8 mil ppm Teores específicos de neodímio e térbio separadamente Valores da venda da Scanty à Harvest Situação do licenciamento ambiental

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