Backshore planeja R$ 60 milhões no Projeto Saramém, em Sergipe, para titânio, zircônio e terras raras
Governo estadual vê potencial de 450 empregos no litoral norte, mas o projeto segue em licenciamento ambiental e a empresa não confirma início de extração comercial nem calendário de contratações.

A Backshore Resources desenvolve o Projeto Saramém, no litoral norte de Sergipe, com investimento estimado em R$ 60 milhões, segundo o CPG Click Petróleo e Gás. Titânio, zircônio e terras raras são o alvo, e as áreas ficam em Brejo Grande e Pacatuba, de acordo com o CPG Click Petróleo e Gás e o Jornal Correio.
O projeto ainda está em licenciamento ambiental e em estudos técnicos. Não há início de extração comercial confirmado, de acordo com o CPG Click Petróleo e Gás.
Governo de Sergipe estima 450 empregos no Projeto Saramém
Em comunicado de 16 de outubro de 2026, o governo de Sergipe estimou um potencial de 450 empregos. Seriam 120 diretos e 330 indiretos, soma que fecha o total divulgado.
Se a empresa vai cumprir esse número, e quando, é outra questão. A Backshore não divulgou calendário de contratações, informa o CPG Click Petróleo e Gás. O número, portanto, é uma estimativa do poder público, não um compromisso da empresa.
O tema já havia aparecido no site: Sergipe levou o Saramém ao portfólio mineral de 2026 da Apex Brasil, com apoio da Desenvolve-SE.
Minerais e o que há no subsolo
Segundo o CPG Click Petróleo e Gás, a região reúne ilmenita e rutilo, fontes de titânio, além de zircão, de onde vem o zircônio, e monazita, mineral de terras raras. O Jornal Correio acrescenta que a monazita pode concentrar cério, lantânio e neodímio.
O CPG Click Petróleo e Gás ressalta que concentrado de monazita não equivale a metal refinado nem a ímã. Esse caminho exige separação e processamento, etapas que a ficha do projeto não detalha.
O Serviço Geológico do Brasil (SGB), em publicação de 2026, estima recursos de 120,7 milhões de toneladas em Saramém/Brejo Grande. Trata-se de recurso, não de reserva, e a área está em fase de exploração, conforme o CPG Click Petróleo e Gás. A diferença importa: recurso indica potencial geológico, sem viabilidade econômica comprovada.
Alvará de pesquisa e memorando
A Agência Nacional de Mineração (ANM) expediu o Alvará de Pesquisa 6.677/2025, que cobre 779,38 hectares em Brejo Grande, com prazo de três anos, segundo o CPG Click Petróleo e Gás. O alvará autoriza pesquisa, não lavra.
A Backshore também tem memorando de entendimento com a Desenvolve-SE. De acordo com o CPG Click Petróleo e Gás, o documento não equivale a autorização de lavra nem libera recursos.
Peso da mineração nos dois municípios
O painel de CFEM por município, da ANM, ajuda a dimensionar a atividade mineral atual. A série vai até 2023 e não separa a arrecadação por mina.
Em Brejo Grande, a Compensação Financeira pela Exploração Mineral ficou em R$ 0,0 mil em 2021, 2022 e 2023. Em Pacatuba, somou R$ 61,4 mil em 2021, R$ 53,4 mil em 2022 e R$ 136,6 mil em 2023.
Os valores indicam que, até o último ano da série, a mineração tinha peso pequeno na arrecadação dos dois municípios. Como a série termina em 2023, não mostra efeitos de eventual avanço do projeto.
O que ainda não se sabe
As informações disponíveis não trazem o prazo de início da produção, nem o teor e o volume de monazita. Também não se conhece a capacidade anual de produção. Faltam ainda o status e o órgão responsável pelo licenciamento ambiental, a origem do capital do investimento e a posição da Backshore sobre o projeto.
Fontes desta matéria
- CPG Click Petróleo e Gás, 19/10/2026
- Jornal Correio, 20/10/2026
- ANM, painel de CFEM por município, 21/10/2026
O que as fontes não cobrem: Prazo de início da produção Teor e volume de monazita Capacidade anual de produção Status e órgão do licenciamento ambiental Origem do capital do investimento Posição da Backshore sobre o projeto


