Minério de ferro sobe com risco de El Niño no Brasil, e ANM alerta mineradoras sobre barragens
Contrato de Dalian avança e referência de Cingapura fica estável em meio a temores de chuvas extremas; agência reguladora recomenda seis medidas de segurança após episódios na Vale no início do ano

Negociado na bolsa de Dalian, o contrato de minério de ferro com vencimento em janeiro encerrou a semana com alta de 0,07%, a 712 iuanes por tonelada (US$ 106,18) — dado que ganha relevância diante do risco de El Niño afetar a oferta brasileira, segundo SpaceMoney e InfoMoney. O movimento reverte parte da queda de quase 1% registrada na semana anterior. Já a referência de outubro negociada em Cingapura ficou estável, em US$ 96 por tonelada.
Por trás da sustentação de preços está o risco de El Niño provocar interrupções no fornecimento de minério brasileiro. Um analista de commodities baseado na Malásia, citado pelo SpaceMoney e pelo InfoMoney, avalia que as chuvas associadas ao fenômeno podem atrapalhar o transporte ferroviário e o carregamento nos portos do país.
Fatores que puxam preços em direções opostas
Enquanto o risco climático no Brasil dá suporte às cotações, a baixa rentabilidade das siderúrgicas chinesas trabalha na direção contrária. A taxa de operação de altos-fornos em siderúrgicas chinesas recuou na passagem mais recente do indicador, ficando em 82,32%. A utilização da capacidade instalada dessas plantas, por sua vez, avançou no mesmo período, para 89,23%.
A ANZ Research projeta demanda mais forte antes da Semana Dourada, feriado nacional chinês previsto para outubro. Já a consultoria BMI aponta pressões baixistas adicionais: oferta abundante no mercado global, confiança fraca no consumo de aço na China e o avanço do projeto Simandou, na Guiné, que deve ampliar a oferta mundial de minério.
ANM recomenda seis medidas contra riscos do El Niño
Em comunicado recente, a Agência Nacional de Mineração alertou as mineradoras sobre o risco de chuvas extremas ligadas ao El Niño para barragens de rejeito, segundo O TEMPO e o Cidades e Minerais. A recomendação lista seis medidas: reforço de drenagem, monitoramento contínuo, inspeções periódicas, verificação da estabilidade geotécnica das estruturas, preparação para emergências e articulação com outras instituições.
Boa parte das barragens a montante enquadradas na política federal de segurança de barragens no país está concentrada em Minas Gerais, aponta o Cidades e Minerais — esse método construtivo é visto como mais vulnerável e já foi proibido para novos empreendimentos no estado.
O Cidades e Minerais aponta que centenas de Declarações de Condição de Estabilidade foram registradas em todo o país no primeiro semestre deste ano. Segundo o levantamento, parte dessas estruturas não teve estabilidade atestada, e outro grupo não entregou a documentação no prazo.
Episódios recentes e responsabilidade das mineradoras
No início do ano, a Vale reportou extravasamentos de rejeito em estruturas entre Ouro Preto e Congonhas, associados a chuvas extremas, segundo O TEMPO. Em nota, a ANM reforçou que a segurança das estruturas é responsabilidade das empresas.
"A ANM reforça que a segurança das estruturas de mineração é responsabilidade do empreendedor e que a adoção tempestiva de medidas preventivas é fundamental para reduzir riscos, prevenir acidentes e proteger vidas, o meio ambiente e o patrimônio público e privado", diz a agência, segundo O TEMPO.
A questão da segurança de barragens no eixo Ouro Preto–Congonhas já rendeu desdobramentos judiciais recentes: em setembro, a Justiça de Minas autorizou a Vale a religar parte da Mina de Fábrica em Ouro Preto, embora outras cavas sigam interditadas.
O peso da mineração nos municípios mineiros
A CFEM arrecadada em Ouro Preto cresceu ano a ano entre 2021 e 2023, superando os R$ 107,8 milhões no último ano da série. Em Congonhas, o valor mais alto do período ocorreu justamente em 2021, com recuo nos dois anos seguintes. A série da Agência Nacional de Mineração vai até 2023 e não separa a arrecadação por mina, o que impede atribuir os valores a operações específicas.
O caso de barragens sob risco climático também apareceu em outro estado nas últimas semanas: em Rondônia, o Ministério Público Federal investiga falhas na Barragem Santa Cruz, estrutura ligada a garimpo de cassiterita em Ariquemes.
O que ainda não se sabe
A ficha de apuração não indica se a ANM pretende fiscalizar o cumprimento das seis medidas recomendadas às mineradoras, nem qual o impacto concreto esperado sobre os volumes de exportação de minério do Brasil em caso de chuvas mais intensas. Também não há detalhes sobre as ações judiciais abertas contra a Vale após os extravasamentos de rejeito registrados no início do ano.
Fontes desta matéria
- SpaceMoney, 23/09/2026
- O TEMPO, 21/09/2026
- Cidades e Minerais, 21/09/2026
- InfoMoney, 23/09/2026
- ANM, painel de CFEM por município, 28/09/2026
O que as fontes não cobrem: Se ANM vai fiscalizar cumprimento das recomendações Impacto concreto esperado em volumes de exportação de minério do Brasil Detalhes das ações judiciais contra a Vale em janeiro