Trump negocia compra "massiva" de potassa da Bielorrússia para reduzir dependência do Canadá
Presidente dos EUA diz que o produto bielorrusso sairá mais barato que o canadense; primeiro navio com o fertilizante deve chegar a Nova Orleans no mês que vem, após anos sem embarques

Um acordo comercial "massivo" envolvendo a compra de potassa da Bielorrússia está sendo negociado pelos Estados Unidos, segundo declarou o presidente Donald Trump. A informação foi divulgada pela Euronews.com e pela AMR Business Intelligence.
Segundo a Euronews.com, Trump disse que o produto bielorrusso deve custar bem menos do que o fertilizante hoje comprado do Canadá, atual maior fornecedor de potassa aos agricultores americanos. "Substancialmente inferior ao que estamos atualmente a pagar ao Canadá", declarou o presidente, segundo a reportagem.
O movimento ocorre em meio à disputa comercial entre Estados Unidos e Canadá, marcada por tarifas recíprocas, segundo a AMR Business Intelligence.
Sanções da UE à potassa da Bielorrússia e suspensão dos EUA
A União Europeia mantém proibição à importação de potassa bielorrussa e congelou ativos da estatal Belaruskali, de acordo com a Euronews.com. A medida faz parte do bloco de sanções aplicado à Bielorrússia após a repressão a opositores do presidente Alexander Lukashenko.
Do lado americano, o enviado dos EUA John Coale negociou com Lukashenko a libertação de presos políticos em troca da suspensão de sanções, entre elas as que atingiam a indústria de potassa do país, segundo a Euronews.com. As restrições à cadeia de potassa bielorrussa foram suspensas em dezembro, conforme apurou a AMR Business Intelligence.
Primeiro embarque em anos
A AMR Business Intelligence apurou que um navio carregado de cloreto de potássio (KCl) bielorrusso deve chegar ao porto de Nova Orleans no mês que vem. Segundo o levantamento, esse será o primeiro carregamento do produto a desembarcar nos Estados Unidos depois de um longo período.
O KCl é a principal forma comercial da potassa, usada como fertilizante na agricultura. A retomada dos embarques depende diretamente da suspensão das sanções aplicada em dezembro.
Reação do setor
Procuradas pela AMR Business Intelligence, as mineradoras Nutrien e Mosaic, que hoje respondem por parte relevante do fornecimento de potassa aos EUA a partir do Canadá, não se manifestaram sobre os possíveis impactos da retomada das compras à Bielorrússia. A estatal Belaruskali também não comentou o assunto, segundo o levantamento.
A AMR Business Intelligence avalia ainda que a capacidade da Bielorrússia de substituir, no curto prazo, os volumes hoje fornecidos pelo Canadá é limitada. O país enfrenta restrições logísticas e de infraestrutura de exportação, decorrentes justamente do período de sanções, segundo a análise da consultoria.
A disputa em torno da potassa se soma a outras frentes de tensão entre Washington e Ottawa envolvendo tarifas sobre produtos industriais, tema que já orienta parte da política comercial americana em outros setores de minerais, como o de terras raras.
O que ainda não se sabe
A reportagem apurada pela Euronews.com e pela AMR Business Intelligence não detalha o volume total nem o prazo do acordo comercial anunciado por Trump. Também não há, até o momento, posicionamento oficial de Nutrien, Mosaic e Belaruskali sobre os efeitos da retomada dos embarques bielorrussos ao mercado americano. O governo do Canadá tampouco se manifestou publicamente sobre a negociação entre Washington e Minsk.
Fontes desta matéria
- Euronews.com, 22/09/2026
- AMR Business Intelligence, 22/09/2026
O que as fontes não cobrem: Volume total e prazo do acordo comercial anunciado por Trump Reação oficial de Nutrien, Mosaic e Belaruskali Posição do governo canadense