Trump anuncia que exploração de petróleo, gás e minerais na Groenlândia vai começar, sem prazo nem empresas
Em post na Truth Social, presidente dos EUA diz que os preparativos estão avançados, mas não informa cronograma, participantes nem investimento. Acordo de segurança fechado em setembro prevê bases americanas.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira que a Groenlândia está prestes a ver o início da extração de petróleo, gás e minerais. O anúncio foi feito em uma publicação na rede Truth Social, segundo Times Brasil/CNBC, TVI, O TEMPO e O GLOBO.
Trump não apresentou cronograma, não citou as empresas que participariam e não informou o valor do investimento. A ausência desses dados foi registrada por Times Brasil/CNBC, O TEMPO e O GLOBO.
Há uma divergência sobre o dia da publicação: o CNBC a situa na terça-feira, enquanto TVI, O TEMPO e O GLOBO falam em quarta-feira. Este texto adota a data apontada pelas três últimas.
O que Trump disse sobre o petróleo da Groenlândia
Citando especialistas, o presidente afirmou que o petróleo de fácil acesso na ilha supera o de praticamente qualquer outra região. Nas palavras dele, "a quantidade de petróleo facilmente disponível é muito maior do que a de quase [...] qualquer lugar do mundo".
Pelo levantamento do Times Brasil/CNBC, Trump não divulgou estudos geológicos nem estimativas de reservas que sustentem a comparação. Também não identificou os especialistas a quem se refere.
O veículo lembra que a viabilidade de qualquer projeto no território depende de clima, infraestrutura, custos e exigências ambientais, fatores que o anúncio não aborda.
Acordo de segurança e novas bases
Cerca de três semanas antes do anúncio, em setembro, Washington, Copenhague e Nuuk firmaram um pacto de segurança, de acordo com TVI, O TEMPO, O GLOBO e Times Brasil/CNBC. O texto prevê presença militar americana permanente na ilha.
Segundo O TEMPO e O GLOBO, o documento tem 10 páginas e prevê duas bases novas dos EUA: uma em Narsarsuaq, no sul, e outra em Mestersvig, no leste. A base de Pituffik, no norte, já está em operação.
Só a TVI detalha o cenário da assinatura: o ato ocorreu nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, e a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, estava presente. Os demais veículos citam apenas o fim de setembro.
Segundo a Dinamarca e as fontes ouvidas por Times Brasil/CNBC e TVI, o texto respeita a soberania dinamarquesa e a autodeterminação da Groenlândia.
Defesa, terras raras e o interesse na ilha
Na mesma mensagem, Trump ligou a ilha ao Domo Dourado, projeto de escudo antimísseis americano. Ele afirmou que qualquer ataque aos EUA terá de passar pela Groenlândia, onde as defesas derrubarão drones e mísseis. "Isso nos dá tempo, localização e visibilidade como nenhum outro lugar do mundo", disse Trump, presidente dos EUA.
O GLOBO e O TEMPO apontam que a ilha reúne terras raras ainda inexploradas e fica na rota mais curta de mísseis entre Rússia e Estados Unidos. O degelo, acrescentam, abre novas rotas marítimas.
O tema dos elementos de terras raras está no centro de outras disputas do setor. O Mineração noticiou, por exemplo, que a China aceitou facilitar licenças de terras raras e ímãs para a União Europeia em entendimento fechado em Pequim.
Operações de agosto inquietaram moradores
Em agosto, a imprensa noticiou operações preparatórias de uma petrolífera americana no leste da Groenlândia, segundo O TEMPO e O GLOBO. A notícia inquietou moradores e autoridades locais. As reportagens consultadas não identificam a empresa.
O que ainda não se sabe
Faltam informações básicas sobre o que foi anunciado. Não há cronograma para o início das atividades, nem indicação de quais empresas participariam ou de quanto seria investido. Não existem estimativas oficiais de reservas que respaldem a comparação feita por Trump.
Também não está claro quem é a petrolífera americana citada nas notícias de agosto. As fontes não registram a reação do governo da Groenlândia ao anúncio e não explicam como ficariam o regime de licenças e as leis minerárias locais diante de uma eventual exploração.
Fontes desta matéria
- Times Brasil | CNBC, 14/10/2026
- TVI, 14/10/2026
- O TEMPO, 14/10/2026
- O GLOBO, 14/10/2026
- Dia do anúncio. Usar quarta-feira, 14 de outubro, conforme três fontes; evitar a data do CNBC.
- Quem é o primeiro-ministro dinamarquês/cenário da assinatura. Dizer apenas setembro; local e presenças só se atribuídos à TVI.
O que as fontes não cobrem: Cronograma do início das atividades Quais empresas participariam Valor do investimento Estimativas oficiais de reservas Quem é a empresa petrolífera americana citada em agosto Reação do governo da Groenlândia ao anúncio Regime de licenças e leis minerárias locais


