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Garimpo no Sudão

Ataque aéreo mata ao menos 72 garimpeiros no norte do Sudão; ONG culpa Força Aérea do Egito

Emergency Lawyers atribui o bombardeio, perto da fronteira egípcia, ao Egito. O Exército egípcio não citou o ataque, e a Reuters não verificou a autoria de forma independente.

Por Redação MineraçãoLeitura de 3 min
Vista aérea de paisagem desértica com atividade de mineração e montanhas ao fundo
Imagem ilustrativa. Foto: Picas Joe / Pexels

Um ataque aéreo no norte do Sudão, perto da fronteira com o Egito, matou ao menos 72 garimpeiros de ouro no sábado, dia 10, segundo a organização Emergency Lawyers. A entidade atribui a ofensiva à Força Aérea egípcia. O episódio reacende o debate sobre a segurança dos garimpeiros sudaneses na região, embora a nacionalidade exata das vítimas não tenha sido divulgada.

A informação foi publicada pelo Terra e pela CNN Brasil. Segundo a CNN Brasil, a Reuters não verificou de forma independente a autoria atribuída ao Egito.

O que se sabe sobre o ataque

Imagens que circulam sobre o caso mostram dezenas de corpos entre escombros. A Reuters não confirmou a autenticidade do material. Mineiros ouvidos relataram um bombardeio, segundo os dois veículos.

A Emergency Lawyers afirma que um ataque transfronteiriço desse tipo viola o direito internacional. A entidade, porém, é a origem da acusação, e ela não foi confirmada por nenhuma outra fonte até agora.

Egito fala em campanha, mas não cita o ataque

Em nota divulgada na segunda-feira, o Exército egípcio mencionou a fase final de uma campanha contra o garimpo ilegal no sul do país. O comunicado, segundo o Terra, não citou o ataque nem mortes. A CNN Brasil também registra que os militares egípcios não comentaram o episódio.

De acordo com o Terra, a campanha começou em junho e tem como objetivo declarado impor a autoridade do Estado e proteger os recursos nacionais. Ainda conforme o veículo, a chancelaria egípcia não respondeu de imediato. O chanceler Badr Abdelatty reafirmou na rede X os laços e a coordenação com o homólogo sudanês, sem tratar do ataque.

Dois oficiais de segurança egípcios disseram ao Terra que a ação visava pôr fim ao caos na fronteira e a disputas entre grupos egípcios e sudaneses por áreas de mineração. Eles não foram identificados na reportagem.

Governo sudanês investiga

O governo do Sudão, liderado por militares, afirma que o incidente ocorreu em área de fronteira e que o caso está sob investigação. Segundo o Terra, as autoridades evitaram culpar diretamente o Egito.

Em junho, ataques egípcios já haviam matado um número não especificado de suspeitos de garimpo ilegal, contrabando e tráfico de medicamentos. O Egito disse que essas ações ocorreram em seu próprio território.

Ouro, guerra e fronteira porosa

Desde o início da guerra civil, o norte do Sudão recebeu um afluxo de garimpeiros. O ouro é fonte crítica de receita para os dois lados do conflito, e boa parte da produção é contrabandeada para o Egito, segundo os dois veículos.

A fronteira é porosa, e regiões ricas em minerais como Halayeb e Shalateen são alvo de disputa entre os dois países, de acordo com o Terra.

O ataque se soma a outro episódio de violência no país. Na sexta-feira, dia 9, um ataque de drones a um campo de deslocados no estado do Nilo Azul matou cerca de 31 pessoas, segundo a ONU.

No Brasil, o combate ao garimpo ilegal também tem recebido medidas regulatórias: o Conama aprovou um cadastro e o rastreamento de maquinário de mineração. O contexto, porém, é distinto do sudanês.

O que ainda não se sabe sobre os garimpeiros sudaneses

As reportagens não esclarecem a identidade e a nacionalidade exata das vítimas, nem o local preciso do ataque e a mina atingida. Também não há número de feridos.

A autoria segue sem confirmação independente: a atribuição à Força Aérea egípcia é uma acusação da Emergency Lawyers. O resultado da investigação sudanesa não foi divulgado, e não há registro de reação da ONU ou de outros organismos internacionais ao ataque.

Fontes desta matéria

Onde as fontes divergem
  • Data de publicação e referência ao Egito. Egito não comentou o ataque especificamente; autoria é acusação da ONG, não confirmada.

O que as fontes não cobrem: Identidade e nacionalidade exata das vítimas Local exato do ataque e de qual mina Confirmação independente da autoria Número de feridos Resultado da investigação sudanesa Reação da ONU ou de organismos internacionais ao ataque

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