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Rio Doce

Samarco diz que reparação do Rio Doce soma R$ 82,6 bilhões desde 2015, com 648 mil indenizados

Balanço da empresa detalha indenizações, obras em Mariana e a adesão de 19 municípios ao Novo Acordo em 2026. Hospital da UFOP e Via Liberdade seguem sem cronograma.

Por Redação MineraçãoLeitura de 4 min
Vista aérea de um rio sinuoso cercado por floresta densa e verde
Imagem ilustrativa. Foto: Siarhei Nester / Pexels

A Samarco divulgou na quinta-feira (22) um balanço segundo o qual as ações de reparação e compensação do rompimento da barragem de Fundão somam R$ 82,6 bilhões desde 2015. O número foi publicado perto de dois anos da homologação do Novo Acordo, e o material foi reproduzido por Cidades e Minerais, Mais Minas e Brasil Mineral.

A tragédia de 5 de novembro de 2015 matou 19 pessoas e atingiu Minas Gerais e o Espírito Santo.

Como a Samarco divide os R$ 82,6 bilhões

Segundo a Cidades e Minerais, a Samarco separa o total em duas fases. Foram R$ 38,3 bilhões até setembro de 2024, no período da Fundação Renova, e R$ 44,3 bilhões entre outubro de 2024 e setembro de 2026. A soma das duas parcelas fecha o valor global.

Há uma nuance sobre a natureza do total. A Mais Minas informa que ele reúne ações desde 2015, e não apenas as posteriores ao acordo. O Brasil Mineral diz que o valor abrange iniciativas da Samarco e de outras instituições. A divisão por fase, portanto, é apresentada pela empresa, e o conjunto deve ser lido como acumulado.

Os recursos e obrigações previstos no Novo Acordo chegam a R$ 170 bilhões. O Supremo Tribunal Federal o homologou em 6 de novembro de 2024.

Indenizações e auxílios

Pela empresa, mais de 648 mil pessoas receberam indenização ou auxílio desde 2015, em pagamentos de R$ 36,6 bilhões. O Brasil Mineral relata que, no texto da Samarco, esse grupo equivale a umas dez vezes os habitantes de Mariana.

Depois do Novo Acordo, foram cerca de 357 mil pessoas contempladas, com R$ 18,5 bilhões pagos. Só pelo Programa Indenizatório Definitivo (PID), de critérios simplificados, a empresa contabiliza mais de 321 mil indenizações desde a homologação. A empresa diz ter concluído 99,6% dos processos de auxílio e de indenização individual.

Obras, reflorestamento e rio

Nos reassentamentos de Novo Bento Rodrigues e Paracatu, a empresa diz ter concluído 395 edificações, entre elas 22 bens públicos.

Na recuperação rural, os cercamentos para reflorestamento atingiram 96% da meta, e a proteção de nascentes, 94%, em mais de 3 mil propriedades. Foram cercados 47,9 mil hectares, e cerca de 4,6 mil nascentes foram protegidas.

No trecho entre o Gualaxo do Norte e a UHE Risoleta Neves (Candonga), a Samarco relata o plantio de mais de 1 milhão de mudas em 432 hectares. A renaturalização de 7 quilômetros do Gualaxo do Norte está concluída, e o monitoramento registrou lambari, traíra, bagre e cará.

O presidente da empresa, Rodrigo Vilela, resumiu os resultados à Mais Minas e ao Brasil Mineral: "No centro da reparação estão as pessoas e os territórios."

Municípios e saneamento

Em 2026, 19 municípios aderiram ao acordo. Com isso, 45 dos 49 elegíveis estão dentro, o que representa cerca de 2,13 milhões de habitantes, segundo dados do IBGE citados no balanço. Em setembro, esses 19 municípios receberam cerca de R$ 422 milhões: R$ 249,5 milhões em parcelas, R$ 49,1 milhões em outras ações e R$ 123,9 milhões em saneamento.

Para água, esgoto, resíduos e macrodrenagem, o acordo reserva R$ 11 bilhões em transferências ao poder público. Segundo Mais Minas e Brasil Mineral, 11 estações de tratamento de esgoto foram implantadas ou ampliadas em 22 municípios, com capacidade de cerca de 3,9 milhões de litros por dia e cerca de 1 milhão de beneficiados.

O balanço cita ainda investimentos no Hospital Universitário da UFOP e na concessão da Via Liberdade, de cerca de 190 quilômetros entre Ouro Preto e Mariana. Não há cronograma para nenhum dos dois.

O peso da mineração em Mariana

O tamanho da atividade mineral na região aparece na arrecadação de CFEM. Em Mariana, a compensação foi de R$ 398,3 milhões em 2021, R$ 299,0 milhões em 2022 e R$ 260,1 milhões em 2023. Em Ouro Preto, os valores foram de R$ 68,3 milhões, R$ 85,5 milhões e R$ 107,8 milhões nos mesmos anos. A série da ANM vai até 2023 e não separa os valores por mina.

A operação da empresa também foi tema recente no site: no trimestre passado, a Samarco vendeu menos e produziu mais, segundo relatório da BHP.

O que ainda não se sabe

O balanço não informa quantas pessoas ainda aguardam indenização nem como os pagamentos se distribuem entre os municípios. Também faltam os cronogramas do Hospital Universitário da UFOP e da Via Liberdade. Não há posição de atingidos, de Ministérios Públicos e de governos sobre os números da empresa. O material não identifica quais municípios elegíveis ficaram fora da adesão e não diz quanto falta pagar dos R$ 170 bilhões previstos.

Fontes desta matéria

Onde as fontes divergem
  • Natureza do total de R$ 82,6 bi. Tratar como acumulado desde 2015, com a divisão por fase atribuída à Samarco.

O que as fontes não cobrem: Quantas pessoas ainda aguardam indenização Distribuição dos pagamentos por município Cronogramas do Hospital Universitário da UFOP e da Via Liberdade Posição de atingidos, MPs e governos sobre o balanço Quais são os 4 municípios elegíveis que não aderiram Quanto falta pagar dos R$ 170 bi

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