Copam aprova ampliação do reaproveitamento de rejeitos da Vale no complexo de Vargem Grande, em Itabirito
Conselho deu aval ao pedido da mineradora em votação unânime. Rejeitos reaproveitados da barragem Maravilhas II sobem 2,5 mil toneladas por ano, e cavas recebem mais material.

Na reunião de sexta-feira, 23 de outubro de 2026, o Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) deu aval à solicitação da Vale para expandir o reaproveitamento de rejeitos no complexo de Vargem Grande, em Itabirito (MG). A informação é do O Fator e do Cidades e Minerais.
A votação foi unânime entre os conselheiros presentes. O colegiado é formado por órgãos públicos, empresas, organizações não governamentais e pela Uemg, universidade estadual mineira.
O que muda no reaproveitamento em Vargem Grande
Pela aprovação, o volume de rejeitos reaproveitados da barragem Maravilhas II aumenta em 2,5 mil toneladas por ano e chega a 8.129 toneladas por ano. Pela diferença entre os dois valores, o patamar anterior era de 5.629 toneladas por ano.
O material segue para a ITM da mina do Pico, unidade em que a Vale recupera minério de ferro. As estruturas ficam no mesmo complexo.
Conforme os dois veículos, o pedido também prevê que a cava Galinheiro receba outros 457,8 mil metros cúbicos de rejeito. A capacidade total da cava fica em cerca de 2,3 milhões de metros cúbicos.
Por que a Vale pediu a ampliação
A Vale informou à Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) que a barragem Vargem Grande passa por processo de descaracterização. Segundo a empresa, o rejeito dessa estrutura foi levado à cava Galinheiro com base em licença anterior, de 2025, e o espaço ficou insuficiente.
A justificativa da mineradora é que o reaproveitamento teve desempenho abaixo do esperado, o que reduziu a vazão do material. Sem escoar na velocidade prevista, o rejeito ocupou mais espaço na cava do que o planejado.
Cava Sapecado e área afetada em Vargem Grande
Com a aprovação, o volume de estéril destinado à cava Sapecado chega a 3,65 milhões de metros cúbicos. A Vale afirma que não haverá lavra de minério de ferro nessa cava até 2036.
De acordo com as informações apresentadas, as ampliações não alteram a área diretamente afetada do complexo, ou seja, o desenho do empreendimento no terreno permanece o mesmo.
O peso da mineração em Itabirito
Segundo O Fator, a produção de minério de ferro em Vargem Grande no ano passado foi de 36 milhões de toneladas. A Vale não detalhou, nas informações disponíveis, quanto desse total depende do reaproveitamento de rejeitos.
Para dimensionar a atividade mineral no município, os dados de Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) da Agência Nacional de Mineração (ANM) mostram que Itabirito arrecadou R$ 522,7 milhões em 2021, R$ 317,7 milhões em 2022 e R$ 319,4 milhões em 2023. A série da ANM vai até 2023 e não separa os valores por mina, de modo que não é possível atribuir o montante ao complexo de Vargem Grande. Quem quiser consultar esses números pode recorrer ao guia Mapa da Mina, da ANM, que descreve os painéis de dados da agência.
O que ainda não se sabe
As informações disponíveis não trazem o prazo de validade da licença nem o valor que a Vale pretende investir nas mudanças. Também não há o número da barragem de Vargem Grande nem o cronograma da descaracterização.
A posição da Vale sobre a decisão do Copam não consta do material publicado pelos dois veículos. Tampouco se sabe qual volume anual já é reaproveitado na prática, em comparação com o limite aprovado, nem quais condicionantes ambientais acompanham a licença.
Fontes desta matéria
- Cidades e Minerais, 25/10/2026
- O Fator, 23/10/2026
- ANM, painel de CFEM por município, 26/10/2026
- Ano da licença anterior da cava Galinheiro. Sem conflito; usar 2025.
O que as fontes não cobrem: Prazo de validade da licença Investimento da Vale Número da barragem de Vargem Grande e cronograma da descaracterização Posição da Vale sobre a decisão Volume anual já reaproveitado na prática Condicionantes ambientais


