Tubos de plástico em rocha descartada de mina servem de toca ao quoll ameaçado em Pilbara
Estudo na revista Pacific Conservation Biology mostra que o marsupial usa passagens artificiais enterradas em pilhas de estéril, mas ainda não há prova de reprodução nesses abrigos.

Tubos de plástico enterrados em pilhas de rocha descartada de mineração estão funcionando como tocas artificiais para o quoll, marsupial carnívoro criticamente ameaçado, na região de Pilbara, na Austrália Ocidental. O trabalho foi publicado na revista Pacific Conservation Biology e relatado pelos portais Catraca Livre e Fato Paulista.
A ideia responde a um problema criado pela própria atividade. Segundo os dois veículos, a mineração suprimiu as fendas rochosas naturais que o animal usa para se abrigar. Sem esses espaços, o quoll perde proteção contra o calor e contra predadores.
Como funcionam as tocas em Pilbara
Os abrigos usam tubos de polietileno de alta densidade, instalados dentro das pilhas de rocha descartada. De acordo com a Catraca Livre e o Fato Paulista, o material suporta toneladas de rocha sem colapsar, o que mantém as passagens contínuas e abertas para o animal.
Os pesquisadores citados pela Catraca Livre são Mitchell T. Ladyman e Neil E. Pettit, além de uma equipe da Animal Plant Mineral. Os dois portais não detalham a função de cada um no estudo.
A cobertura de rocha tem papel central no projeto. Ela isola o plástico do calor do deserto e ajuda a criar um microclima compatível com o das tocas naturais, segundo os dois veículos.
O que o monitoramento registrou
A equipe monitorou os tubos com câmeras de movimento e placas de areia, usadas para registrar pegadas. Os registros mostram que quolls entraram e saíram dos tubos durante a noite, conforme Catraca Livre e Fato Paulista.
Sensores instalados no interior das estruturas mediram temperatura e umidade. Pelo relato da Catraca Livre, a temperatura máxima média ficou em 33,6 °C, e a umidade relativa média, em 62,1%. Os valores são semelhantes aos medidos nas fendas naturais, de acordo com o veículo.
Reuso de material e custos
Outro ponto destacado pelos dois portais é o uso de materiais já disponíveis nas minas, o que reduziu os custos da iniciativa. Nenhum valor foi informado, de modo que não é possível comparar o gasto com o de outras medidas de compensação ambiental.
A solução aproveita o estéril, a rocha sem valor econômico que a operação precisa descartar, como base para um abrigo. Em vez de tratar a pilha apenas como passivo, o desenho a transforma em estrutura de apoio à fauna.
Ocupação comprovada, reprodução não
A principal ressalva está nos próprios resultados. Catraca Livre e Fato Paulista informam que a ocupação dos tubos foi comprovada, mas a reprodução não. Faltam estudos de longo prazo sobre procriação e sobre a sobrevivência de filhotes nesses abrigos.
Isso significa que os tubos se mostraram aceitos como passagem e refúgio, mas ainda não como local de criação. Para uma espécie criticamente ameaçada, é essa segunda etapa que indicaria ganho para a população.
O que ainda não se sabe
As reportagens não informam o nome da mineradora dona da área nem da mina em que os tubos foram instalados. Também não trazem a quantidade de tubos, a extensão da obra e o custo total.
Não há dados sobre o número de quolls registrados nem sobre o período do monitoramento. O ano de realização do estudo igualmente não consta nos textos. Por fim, não se sabe se a prática será adotada em outras minas ou exigida em processos de licenciamento.
Fontes desta matéria
- Catraca Livre, 23/10/2026
- Fato Paulista, 23/10/2026
O que as fontes não cobrem: Nome da mineradora dona da área e da mina onde os tubos foram instalados Quantidade de tubos, extensão e custo da obra Número de quolls registrados e período do monitoramento Ano de realização do estudo Se a prática será adotada em outras minas ou exigida em licenciamento


