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Terras raras na energia solar

Anexo Energia cria película com európio que elevou em 12% a geração solar em testes de laboratório

Empresa de Goiás desenvolveu a QORA, revestimento para módulos fotovoltaicos que usa terra rara. Finep aportou R$ 3,9 milhões, mas ganho em campo e durabilidade ainda não foram demonstrados.

Por Redação MineraçãoLeitura de 3 min
Vista detalhada de painéis solares fotovoltaicos em close
Imagem ilustrativa. Foto: Budget Bizar / Pexels

A Anexo Energia, empresa de Goiás, desenvolveu a QORA, uma película fotoluminescente para módulos fotovoltaicos que, segundo a própria companhia, elevou em 12% a geração de energia em ensaios de laboratório. A informação foi publicada pelo Cenário Energia e pela Agência iNFRA, em outubro.

O revestimento usa európio, um elemento do grupo das terras raras. Os resultados em bancada ainda não foram confirmados em condições reais de operação.

Como a película QORA funciona

O európio converte radiação ultravioleta em luz visível. As células de silício, que formam a maior parte dos painéis, conseguem aproveitar essa luz, o que, em tese, aumenta a energia gerada pelo mesmo módulo.

A proposta da Anexo Energia é elevar a produtividade de painéis já instalados, sem trocar os módulos e sem ampliar a área ocupada. O foco declarado são a minigeração e a microgeração distribuídas (MMGD) e as usinas solares.

A empresa também afirma que a película protege contra a radiação UV e pode reduzir a degradação dos módulos. A própria companhia reconhece, porém, que a vida útil prolongada ainda não foi comprovada em testes específicos nem em condições reais.

Financiamento da Finep e prêmio da Anexo Energia

A Finep aportou subvenção econômica de R$ 3,9 milhões no projeto. Com a contrapartida, o investimento total chega a cerca de R$ 4,4 milhões. Por diferença, a parcela privada seria de aproximadamente R$ 500 mil, estimativa da redação a partir dos dois valores divulgados.

O projeto também foi o vencedor regional do Centro-Oeste no Prêmio Finep de Inovação, na categoria que reúne bioeconomia, descarbonização, transição e segurança energéticas. Segundo a Agência iNFRA, a premiação ocorreu em 2025. O Cenário Energia não informa o ano.

Versão comercial e próximos passos

Ainda de acordo com a Agência iNFRA, a versão comercial da película foi concluída em 2025. O Cenário Energia diz apenas que o desenvolvimento foi finalizado, sem indicar data. Não há conflito entre os veículos nesse ponto.

O Instituto Anexo, parceiro técnico da empresa, seleciona parceiros industriais e comerciais para viabilizar a produção em escala. Os mercados-alvo são o brasileiro e o de exportação.

O uso de terras raras em tecnologias de energia limpa se soma a uma discussão mais ampla no país sobre o tema. O site já noticiou a política nacional de minerais críticos e terras raras, criada por lei e regulamentada por decreto.

O que os números da Anexo Energia ainda não mostram

Conforme o Cenário Energia, o material divulgado não especifica em que condições foram feitos os ensaios do ganho de 12% e tampouco apresenta dados de desempenho prolongado em usinas. Também não há informação sobre validação independente dos resultados, que partem da empresa.

Para o Cenário Energia, a viabilidade comercial dependerá de três fatores: o ganho efetivo em campo, a durabilidade do revestimento e os custos de instalação e manutenção.

O que ainda não se sabe

Faltam informações sobre as condições dos ensaios de laboratório, como o tipo de módulo, o tempo de teste e a irradiação aplicada. Também não foram divulgados o custo da película nem o preço por módulo, a capacidade e o prazo de produção em escala e os parceiros industriais já definidos.

Ficam em aberto ainda a origem e a quantidade de európio usadas no revestimento, os dados de durabilidade e de testes em campo, e quem divulgou os ensaios, com ou sem validação independente.

Fontes desta matéria

Onde as fontes divergem
  • Ano do prêmio e da conclusão da versão comercial. Usar 2025 atribuído à Agência iNFRA; sem conflito real entre as fontes.

O que as fontes não cobrem: Condições dos ensaios de laboratório (tipo de módulo, tempo, irradiação) Custo da película e preço por módulo Capacidade e prazo de produção em escala Parceiros industriais já definidos Origem e quantidade do európio usado Dados de durabilidade e testes em campo Quem divulgou os ensaios com validação independente

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